O principal efeito do corte de 0,25 ponto da Selic, realizado ontem pelo BC, é que ele ratifica os cortes que vêm sendo feitos na taxa de juro real de longo prazo e estimula novas reduções.
Para a economia brasileira, isso é vital. Com a massa salarial achatada, o crédito restrito e a política fiscal apertada, hoje o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) depende essencialmente da taxa real de longo de prazo. As afirmações são de Hugo Penteado, economista-chefe da ABN Amro Asset Management.
Segundo Penteado, o que faz as empresas tomarem a decisão de investir na própria atividade não é a taxa Selic, em si, mas a taxa real de longo prazo. A taxa real de longo prazo é o juro, depois de descontada a variação da inflação, embutido nas taxas nominais dos títulos do governo federal, nos papéis de renda fixa e em contratos do mercado futuro de juros com prazos de um ano ou mais.
Os juros de longo prazo são formados pelos participantes do mercado de renda fixa com base na taxa Selic vigente, nas taxas de curto prazo (apuradas no mercado de CDI – Certificado de Depósito Interbancário), na política monetária seguida pelo BC, nas previsões para o desempenho da economia e na capacidade do governo federal de pagar a sua dívida.
As taxas de juros de longo prazo podem ou não andar próximas às taxas de curto prazo ou à Selic. Essa proximidade depende do otimismo ou pessimismo que ronda os seus componentes.

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