Corte de impostos estimula vendas de PCs
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quarta-feira, 23 de novembro de 2005
Das Agências 
São Paulo- O PC para Todos ainda não provou ser programa de inclusão digital, de acesso de pessoas de baixa renda à tecnologia, mas já teve resultados positivos como política industrial. A redução de impostos diminuiu o chamado mercado cinza, que usa peças contrabandeadas e sonega impostos, levou os fabricantes a lançarem máquinas mais baratas e incentivou a demanda por computadores.
Para tentar impulsionar as vendas antes do Natal, o governo federal vai lançar uma campanha publicitária em dezembro. Até agora, o programa, que combina incentivos fiscais aos produtores de micros com financiamentos mais baratos para os compradores, ainda engatinha: apenas 38 pessoas tinham se cadastrado até ontem para ter acesso às taxas de juros mais baixas, de pelo menos 17 milhões que poderiam tê-las.
A consultoria IDC prevê que este ano o mercado brasileiro de PCs chegará a 5,2 milhões de unidades, um crescimento de 30% sobre 2005. A participação dos fabricantes ilegais caiu de 74% em 2004 para 65% em agosto. Desde o governo passado a indústria defendia um pacote de medidas contra o mercado cinza. A MP do Bem está fazendo com que gigantes internacionais voltem ao varejo no Brasil. A HP anunciou no começo do mês sua primeira linha para o consumidor final. A chinesa Lenovo, que comprou a divisão de PCs da IBM, se prepara para fazer o mesmo.
O PC popular, com preço de até R$ 1,4 mil, ainda está difícil de ser achado nas lojas. Mas, a partir da semana que vem, este quadro começa a mudar. A Positivo Informática, maior fabricante de PCs do País, despacha amanhã seu primeiro lote homologado, com 6 mil máquinas, para o Ponto Frio. ''Outras redes estão para fechar os pedidos'', afirmou João Marcelo Alves, diretor de Marketing do Positivo. ''Na primeira quinzena de novembro já vendemos 30% mais computadores que no fim de outubro.''
O PC para Todos, que se chamou PC Conectado, acabou saindo sem o serviço especial de acesso à internet, com 15 horas, a R$ 7,50. ''Vai levar pelo menos dois meses para as operadoras oferecerem este acesso'', afirmou Cezar Alvarez, assessor da presidência e coordenador do projeto. Foi publicado um decreto presidencial genérico, que dá poderes ao Ministério das Comunicações para decidir sobre os programas de inclusão, e o governo prepara um segundo, para criar o serviço.
Os provedores de acesso à internet reclamaram que o serviço foi negociado com as operadoras. ''Não incluiremos o preço de um provedor pago no pacote'', afirmou Alvarez, para quem este tipo de negociação deve ser feito entre as empresas. O serviço deve ter uma numeração especial, que permitirá às empresas cobrarem a tarifa diferenciada.


