Corte de energia ameaça 850 mil empregos
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quarta-feira, 09 de maio de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Desaquecimento econômico deve rebaixar expansão do Produto Interno Bruto de 3,5% para 2% no ano, prevê a FGV
O racionamento de energia elétrica causará, em seis meses de vigência, uma redução de R$ 14,6 bilhões na produção de bens e serviços no Brasil, de acordo com estudo de impactos econômicos divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), em São Paulo. Com isso, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional será 1,5 ponto porcentual menor. Em vez dos 3,5% anteriormente previstos pela FGV, o PIB deverá crescer apenas 2%. Essas projeções foram feitas com base em um racionamento de 20% do consumo de energia.
Segundo o professor de economia Fernando Garcia, coordenador do estudo, a diminuição do ritmo de atividade acarretará demissão ou não-contratação de 856 mil pessoas nos seis meses. Dessas, 120 mil serão na indústria. Os setores mais afetados serão os de siderurgia, papel e celulose, metais não-ferrosos, cloro-soda e vidro, explicou Garcia. Esses setores são grandes consumidores de energia elétrica.
A queda na atividade econômica causará também a redução da arrecadação de impostos. Em seis meses de racionamento, com o País economizando 20% de energia, a arrecadação sofrerá perdas de R$ 6,6 bilhões (desses, R$ 2,1 bilhões só de ICMS). Na avaliação de Garcia, a atual crise energética é tão grave quanto o choque de petróleo de 1974.
Segundo o estudo, desde 1985 até hoje a produção de energia elétrica no País cresceu, em média, 4% ao ano. O consumo, também em média, cresceu 4,5% ao ano. O consumo residencial foi o que mais cresceu entre 85 e 2001: 6,8% ao ano. Isso se deve à expansão da rede (hoje são cerca de 40 milhões de residências) e ao aumento das vendas de eletrodomésticos.
Na opinião do economista da FGV-SP, o problema energético começará a ser resolvido se o governo acelerar a aplicação de medidas que visem ampliar a capacidade de produção de energia do País. O problema pode continuar em 2002, disse.


