Corte de antibióticos não preocupa indústria avícola
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segunda-feira, 12 de julho de 2004
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
As indústrias brasileiras de proteína animal, que exportam para a União Européia, têm um ano e meio para substituirem os antibióticos por outros promotores de crescimento. Segundo Guilherme Miniozzo, diretor-geral da Alltech do Brasil, existem suspeitas que relacionam a resistência dos seres humanos a determinados antibióticos usados na criação de aves, bois e suínos.
Baseados nessa hipótese, os Países do Velho Continente proibiram suas indústrias e fornecedores estrangeiros de usarem cinco tipos de antibióticos (Avoparcina, Silosina, bacitracina de zinco, Espiramicina e Virginamicina) desde janeiro de 1999. A mesma regra valerá para a Avilamicina e Flavomicina
a partir de janeiro de 2006. Apenas a Monensina sódica e a salinomicina antibióticos contra a coxidiose podem ser ministrados até 2008. ''O futuro da indústria é encontrar substitutos entre os prebióticos, ácidos orgânicos, enzimas ou a combinação deles'', disse Miniozzo.
De acordo com Peter Ferket, do Departamento de Ciências Avícolas da Universidade do Estado de Carolina do Norte (EUA), os antibióticos incluídos na alimentação animal trazem diversos benefícios como a melhora do rendimento, redução ou eliminação de patógenos oportunistas, melhora a conversão alimentar e a pigmentação, diminui a mortalidade e aumenta a performance reprodutiva, entre outros benefícios que se estendem por todos os elos da da cadeia produtiva. ''No entanto, eles somente podem ser ministrados com orientação e acompanhamento de um médico veterinário'', acrescenta Valter Bampi, coordenador do Comitê Sanitário da União dos Abatedouros do Norte do Paraná (Unifrango).
Na opinião de Miniozzo, as empresas que desrespeitarem a exigência européia, provavelmente, perderão mercado para os concorrentes. O Paraná é um dos principais interessados na adaptação às novas regras considerando que é o maior produtor de frango do Brasil que, por sua vez, é o maior exportador do mundo. ''Não acredito que isso será problema'', completa Bampi. Para o médico veterinário e supervisor de integração do frigorífico Coopacol, Milton Cestari, essa proibição é resultado de uma preocupação infundada do consumidor que pressiona a indústria e os poderes constituídos. ''Os promotores de crescimento industrializados são mais eficazes que os naturais e essa troca, com certeza, reduzirá o desempenho da produção que, fatalmente, coincidirá no custo do produto. Mas, não há razão para alarme porque esse acréscimo não será maior que 1%'', previu o veterinário.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar) Domingos Martins discorda da hipótese de aumento no preço da carne de frango ''porque o que favorece o crescimento do animal é a genética e a alimentação e nesse quesito estamos muito bem''. Quanto à restrição de alguns antibióticos ele também está trânquilo. ''Nossa posição no mercado mundial exige atualização constante. Portanto, essa exigência não é novidade para nós'', concluiu.
O Ministério da Agricultura promove hoje em Londrina uma palestra sobre a proibição de hormônios na alimentação de frangos para corte. Para isso, foi convidado o engenheiro agronômo Antônio Mário Penz Júnior professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, PhD em nutrição e consultor técnico. O evento será realizado a partir das 20 horas, no Auditório do Condomínio Palácio Café, à Rua do Café, 543 (Aeroporto). As vagas são limitadas e as inscrições gratuitas. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: (43) 3325-5454 com Stela.


