Corte da Selic deve ser sentido em até 90 dias
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quinta-feira, 08 de março de 2012
Andréa Bertoldi <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A redução da taxa básica de juros - a Selic - em 0,75 ponto percentual para 9,75% ao ano anunciada na última quarta-feira pelo Banco Central deve demorar de 30 a 90 dias para trazer efeito prático no bolso do consumidor final.
''O corte nos juros é bom para o comércio e para o País inteiro'', disse o presidente da Fecomércio, Darci Piana. Ele acredita que a redução nos juros é benéfica, vai facilitar o investimento industrial e reduzir os custos para competir com os importados.
Para ele, os setores do comércio que mais terão impacto com a redução da Selic são os de linha branca como geladeira e fogão, além de TVs e móveis. São segmentos que fazem financiamentos acima de dez meses. ''Acredito que vai demorar de 30 a 45 dias para trazer efeitos para o consumidor final'', prevê. No final de uma compra, o consumidor deve ter, em média, 3% de redução de juros, segundo Piana.
Ele destacou que os únicos que não levarão vantagem com a diminuição dos juros são os especuladores do mercado financeiro. Segundo o presidente da Fecomércio, com os juros menores, deve entrar menos dólares na economia, o que dificultaria as importações com a possível estabilização do câmbio.
Para o professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Vamberto Santana, os efeitos nas mercadorias financiadas e no custo dos financiamentos bancários deve ocorrer dentro de 60 a 90 dias. ''Se o governo não baixar os juros não terá um reaquecimento da atividade econômica e o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto)'', destacou.
Ele lembrou ainda que, caso o governo reduza o custo das linhas de financiamento do BNDES, do Banco do Brasil e da Caixa, isso servirá de referência para o sistema bancário privado.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, considerou positiva a queda nos juros anunciada pelo governo federal. No entanto, ele ressaltou que são necessárias também outras medidas como a reforma tributária, o ajuste cambial e investimentos em infraestrutura.
''Precisamos de uma taxa cambial que beneficie a exportação'', disse. O governo deveria ser mais ousado e atacar o grande problema que é o Custo Brasil, segundo ele. ''As medidas paliativas (como o corte dos juros) são bem vindas, mas teriam que vir junto com uma agenda de reformas'', disse.
''Só com mudanças amplas poderemos retomar investimentos'', afirmou. Campagnolo diz que o juro alto agrava o processo de desindustrialização que está em curso no Brasil. ''O alto custo do dinheiro somado à entrada desenfreada de produtos importados é um desestímulo à produção nacional. É preciso reverter este processo'', alertou.



