Corte da CPMF não chegou aos preços
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Lu Aiko Otta<br>Agência Estado 
Brasília - A Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF) acabou, mas o consumidor não viu nenhum benefício nos preços. Pelo contrário: em vez de ficarem mais baratos, como era de se esperar com a redução da carga tributária, alguns produtos até encareceram, segundo levantamento realizado pelo professor Marcos Cintra, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele mostra que no preço final de um automóvel, por exemplo, 1,69% correspondia à CPMF, cobrada várias vezes durante a produção do bem.
Portanto, o fim do tributo, desde o dia 1º de janeiro, deveria provocar uma queda de magnitude semelhante nos preços. O que se viu, porém, foi uma alta de 0,26%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na pesquisa para calcular o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro.
Para a indústria farmacêutica, a CPMF pesava 1,49%, mas em janeiro a alta dos preços foi de 0,15%. Nos eletroeletrônicos, o tributo pesava 1,74%, mas os produtos subiram 0,11%. Nos serviços pessoais, a CPMF representava 1,31% dos preços e a alta de janeiro chegou a 0,64%. Nos transportes, o tributo pesava 1,33% e seu fim não impediu uma alta de 0,4%. No café, o peso da CPMF é o mais alto de toda a economia: 2,25%. Em janeiro, o preço do café moído subiu 0,16%.
O café solúvel ficou 0,73% mais barato - uma queda inferior ao peso do tributo. ''Em janeiro, a CPMF deixou de ser cobrada, mas a tendência de alta da inflação foi confirmada'', disse Cintra. ''Concluo que ela ficou na margem empresarial.'' O professor reconhece que outros fatores podem ter influenciado, mas algum reflexo nos preços deveria ter aparecido. Porém, chama a atenção a tendência geral da economia. Segundo ele, na média dos preços, a CPMF pesava 1,61%. Ou seja, houve um choque deflacionário desse valor. Não é um corte pequeno, considerando que a inflação anual é de cerca de 4%.
As empresas não repassaram ao consumidor a queda da CPMF porque a concorrência no País é baixa, avalia Cintra. ''Se este fosse um mercado competitivo, o preço deveria cair.'' Não foi o que se viu. A inflação, que já vinha numa tendência de alta, continuou com o mesmo comportamento em janeiro, quando o IPCA subiu 0,54%.
Cintra, conhecido por sua militância em prol de um imposto único, não esconde sua simpatia pela CPMF. Ele acha que a carga tributária é elevada, mas preferia a eliminação de outros tributos em vez da CPMF. ''Acho que jogaram o bebê fora junto com a água da banheira.''


