Cortamos o fluxo enorme de dinheiro
A dimensão dos interesses ''contrariados'' é exemplificada pelo superintendente do porto, Eduardo Requião, pelo valor da receita cambial local em 2004, de US$ 8,5 bilhões, por exemplo. Além disso, a APPA aplica tarifa portuária de US$ 1,16 por tonelada, enquanto os operadores portuários cobram dos exportadores valores entre US$ 4,5 e US$ 6,00 por tonelada. ''Cortamos o fluxo de enorme volume de dinheiro que pessoas e empresas não ligadas à exportação ganhavam dentro do porto, manipulando a soja comum depositada no silo público'', afirma Requião.
A disputa política envolve também um aparente superfaturamento na licitação para obras de expansão do porto. Em meados de 2002 estava para ser assinado um contrato para as obras no valor de US$ 380 milhões, recusado quando o irmão do administrador do porto, Roberto Requião (PMDB), assumiu o governo do Paraná. Nova licitação foi feita e o valor do contrato caiu pra US$ 140 milhões. ''Desde então começou a campanha contra a administração'', conta o superintendente.
As obras prevêem dragagem, construção de três novos berços e de um novo silo público que elevará a capacidade estática de armazenagem das atuais 100 mil toneladas para 207 mil toneladas.
''Esses políticos que superfaturam obras públicas querem de volta a anarquia no porto, porque ganhavam muito dinheiro com a bagunça'', afirma Requião. Ele conta que quando assumiu o porto havia um mercado de filas tanto na estrada, entre caminhoneiros, com o entre os armadores. ''Navios menores guardavam lugar na fila para os grandes, que compravam a preferência a peso de ouro. Isso acabou.''
O rigor na fiscalização das cargas também melhorou a qualidade dos serviços prestados no porto, segundo Requião. ''Ainda hoje encontramos cargas de soja e farelo misturadas com cimento, terra, esterco e outras impurezas''. Até o final de maio a fiscalização em Paranaguá refugou 4,3 mil caminhões carregados com soja, por problemas e qualidade.





