Na mão de quem o dinheiro é melhor empregado no Brasil? Nos últimos anos alguns empresários resolveram, mesmo que informalmente, iniciar um movimento para tomar as rédeas da economia. Eles trabalham para melhorar a qualidade de vida de seus funcionários, dando-lhes melhores condições de empregabilidade, oferecem cursos de aperfeiçoamento e qualificação, melhoram a produção de suas empresas e reduzem custos.
Essas ações têm conseguido dar alguns músculos para a economia brasileira que hoje é respeitada no exterior. Porém, as denúncias de mensalão, propina, dinheiro não contabilizado um eufemismo para o famoso caixa 2 , suborno, aliciamento e tantas outras mazelas, estão desestimulando quem faz o possível para andar corretamente, pagando seus impostos e cumprindo religiosamente com suas obrigações.
O empresário, bacharel em direito, economista e professor da Universidade Estadual de Londrina Francisco Simões, que já foi Secretário da Fazenda do Município, afirma que o momento político, com tantas denúncias, pode contaminar o mercado. ''Tenho percebido que os empresários, cada vez mais, demonstram aversão ao pagamento de tantos tributos, pois sabem que o dinheiro não está sendo usado corretamente. Apesar da carga tributária alta, eles não ficariam tão irritados se observassem o retorno em saúde, educação, infra-estrutura, melhoria da qualidade de vida da população'', diz.
Segundo ele, o que mais preocupa é saber que o dinheiro pago em impostos acaba sendo encontrado na cueca de quem não deveria. ''Se metade do dinheiro que o governo arrecada em impostos ficasse nas mãos dos empresários, a economia teria um crescimento espantoso. O empresário quer reinvestir no seu negócio, produzir mais, gerar mais emprego'', afirma Simões.
O presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-LD), José Joaquim Ribeiro, afirma que o momento é das empresas e entidades começarem a reagir para evitar que aconteça o pior. ''As empresas devem dar exemplo sendo éticas, mostrando civismo, e cobrando dos políticos a mesma postura. Mais até que as empresas, as entidades de classe precisam se expor e cobrar mais''.
Segundo Ribeiro, as coisas no Brasil só mudam pela pressão da sociedade. Ele recorda a discussão, no início do ano, sobre a intenção do governo de implantar a Medida Provisória 232 que iria aumentar a contribuição das empresas de serviços. ''As entidades conseguiram levar o assunto para toda a sociedade organizada que pressionou e evitou que a MP 232 fosse implantada. Sem a pressão da sociedade nada muda'', afirma. O presidente do Sescap-LD afirma que é por isso que as empresas precisam dar exemplo, sendo éticas na condução de seus negócios, para poder cobrar ética dos governantes.

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