Quando se fala em corrupção muitas pessoas não conseguem dimensionar o que isso significa realmente para a sociedade. Nas últimas semanas, a Câmara Municipal de Londrina tem sido alvo de diversas denúncias de que um grupo de vereadores recebeu dinheiro para aprovar projetos de interesse de alguns empresários da cidade. O Ministério Público está investigando o caso e fez denúncia contra cinco vereadores. Após as denúncias, dois deles renunciaram ao mandato.
  Além do fato em si, a corrupção afeta a vida da cidade. Em especial na área econômica. Segundo o economista Marcos Fernandes Gonçalves da Silva, doutor em economia pela Universidade de São Paulo, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas e autor de ‘‘A Economia Política da Corrupção no Brasil’’, a corrupção gera diversos tipos de custos para o país. O custo mais fácil de ser compreendido pela sociedade é o custo de oportunidade. ‘‘Cada real que é roubado, deixa de ser investido em políticas públicas, seja ele no social, na saúde e na educação. Se o dinheiro deixa de ser investido, o governo deixa de fazer coisas como saneamento básico e de investir de forma mais eficiente em educação e saúde’’, alerta ele.
  Segundo o economista, um outro custo que ocorre com freqüência é a instabilidade que a corrupção provoca do ponto de vista político e institucional. Ela gera instabilidade política e perda de credibilidade. ‘‘Em termos nacionais os primeiros investidores a fugir são os domésticos, mas todos percebem que o governo não terá como governar. Gera desmoralização do sistema político e do sistema legislativo, gera incertezas, crise de governabilidade. Além disso, há um custo difícil de ser mensurado. É o custo em termos de perda de produtividade. A corrupção representa custos, pois ela gera custos para atividade econômica. É um custo difícil de ser estimado, com impactos sobre o crescimento econômico e perda de eficiência’’, afirma Silva.
  O presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Martins Ribeiro diz que as instituições públicas precisam ter e mostrar credibilidade. ‘‘O empresário quer investir, mas quer segurança de que poderá investir na cidade ou no estado sem precisar passar pelo constrangimento de ter que dar uma ‘‘caixinha’’ para um agente público. Com todos estes escândalos acontecendo na Câmara de Londrina, imagine o empresário que está olhando para cá e gostaria de trazer sua empresa ou realizar um novo investimento. Ele, com certeza, pensará duas vezes antes de tomar qualquer decisão’’, reforça Ribeiro.
  Segundo Ribeiro, a corrupção traz enormes transtornos para a cidade, pois reduz o investimento, a geração de empregos e a coleta de impostos. Nos últimos dez anos, a cidade teve um prefeito cassado, foram abertos diversos processos na justiça contra várias personalidades públicas, dois vereadores renunciaram. ‘‘Quanto a cidade já perdeu com isso? É impossível calcular, mas não foi pouco’’, diz Ribeiro.
  Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Rubens Augusto, o empresário brasileiro sofre com a falta de infra-estrutura, com uma carga tributária alta e com a burocracia. ‘‘Quando ocorre este tipo de escândalo a situação fica ainda pior. Nós da Acil, enquanto entidade representativa, não podemos admitir isto. É óbvio que nem todos os empresários são exemplares, mas os que querem tirar proveito de uma situação que não é correta, é minoria. A maioria quer investir e trabalhar’’, diz Augusto.
  Segundo ele, não é admissível que o vereador cobre propina e muito menos o empresário oferecer. Em qualquer dos casos o ideal é que os personagens denunciem. ‘‘Nossa cidade tem muita força. Apesar de tudo o que está acontecendo na área política vemos o lançamento de dois novos shoppings - nas zonas oeste e norte - e a ampliação do Catuai’’, comenta.
  Para Ribeiro, é terrível quando o noticiário policial e político se confundem. ‘‘A sociedade está atônita. O custo disto para a cidade é enorme. A impressão que se tem é que alguns personagens públicos criam dificuldades para vender facilidades. O fato é que um empreendimento parado provoca um prejuízo enorme para o investidor. A sociedade precisa estar atenta e não admitir mais este tipo de situação. Quando a credibilidade das instituições públicas é questionada, todos perdem’’, analisa Ribeiro
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr

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