A maior parte das casas de câmbio de Foz do Iguaçu - a principal cidade de fronteira do Brasil - não tinha dólares para a venda ontem. Nas poucas agências que ainda ofereciam a moeda norte-americana, o preço de venda chegou a R$ 1,32. O receio de que o governo adote uma desvalorização do real está fazendo com que a população evite vender suas reservas em dólar.
Localizada na fronteira com Paraguai e Argentina, a cidade tem cerca de 30 casas de câmbio. Em Ciudad del Este, no Paraguai, as lojas especializadas em vender produtos importados a brasileiros faziam o câmbio por R$ 1,30. Em Foz, as poucas lojas que ainda tinham dólares limitavam a venda ao equivalente a R$ 3 mil. As demais, operaram apenas com guarani (moeda paraguaia) e peso argentino.
A Leocádio Câmbio e Turismo, uma das maiores agências do centro de Foz do Iguaçu, não vendeu uma única cédula de dólar, apesar de a procura ter sido maior que nos dias anteriores. Cerca de 100 pessoas foram ao estabelecimento ontem.
Na Ortega Câmbio e Turismo, cerca de 90 pessoas (um volume 25% acima no normal) procuraram dólar ontem. Nem todos puderam ser atendidos porque faltou dólar várias vezes durante o dia. ‘‘Quem tem dólar está cauteloso em vender e quem não tem, procura comprar’’, resumiu o recepcionista de câmbio da agência, Victor Hugo de Mattos Louzada.
A agência Banktur ficou sem dólares entre as 10 horas e as 12 horas de ontem. Na opinião do gerente Olímpio dos Santos, a situação poderá se agravar a partir de segunda-feira.

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