Dois meses depois de chegar ao Japão para trabalhar Alessandro da Silva e sua esposa já marcavam a passagem de volta ao Brasil. A crise afetou a empresa de motocicletas onde eles estavam empregados e o casal achou melhor voltar para o município de Cruzeiro do Sul, no Noroeste do Estado. Antes, Alessandro trabalhou por quatro anos no Japão e estava no Brasil há 10 meses.
Quando embarcou no final de outubro, pretendia ficar mais alguns anos, mas foi obrigado a antecipar sua volta, porque a empresa informou que iria diminuir sua produção e possivelmente fazer demissões.''Não tínhamos segurança de continuar no trabalho. Como a casa era da empresa, corríamos o risco de perder o trabalho e sem ter onde morar'', explica. A intenção do casal agora é ficar no Brasil até que a situação econômica melhore.
De acordo com o gerente de empreiteira, Kleber Ariyoshi, assim como Alessandro centenas de famílias estão preferindo retornar ao Brasil e hoje praticamente não há novas vagas de emprego. Ele lembra que mensalmente encaminhava até 40 pessoas para trabalhar no Japão. Em dezembro, só conseguiu seis vagas e em janeiro ainda não encaixou ninguém.
Ariyoshi conta que 90% dos brasileiros trabalham em empresas multinacionais, as mais afetadas pela crise. ''As empresas de eletrônicos e autopeças foram as mais prejudicadas. Elas começaram a demitir no mês de novembro. O setor de alimentação estava bem, mas agora também já cessou as contratações também'', revela.
Segundo ele, muitos brasileiros que foram demitidos estão com dificuldade de moradia e para voltar. Apenas aqueles que pagam aposentadoria no Japão estão em uma situação mais confortável, porque agora estão recebendo três meses seguro-desemprego.
Com a crise e a onda de demissões empresas que trazem mudanças em navios têm aumentado seus lucros. A procura por esse tipo de serviço aumentou em muito. ''Na maioria das vezes a família tem de deixar a casa após a demissão e enviar a mudança por navio tem sido a única saída para não deixar tudo na rua'', observa. Ariyoshi acredita que as empresas devem começar a contratar novamente daqui a três ou quatro meses.

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