Corretores fecham acordo de integração
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba Dirigentes de entidades representativas do setor de corretores imobiliários do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai que compõem o Mercosul e do Chile assinaram ontem um documento que vai permitir a atuação legal dos corretores de imóveis em qualquer dos cinco países. A intenção é integrar os mercados criando espécies de licenças temporárias para que o corretor atue fora do seu país. Agora o documento será encaminhado ao Ministério de Relações Exteriores dos cinco países e, segundo a Confederação Imobiliária do Mercosul e Chile (CIMECH), que congrega todas as entidades, a união já deve ser colocada em prática em seis meses.
''Nosso objetivo é ter uma regulamentação comum no Mercosul e Chile. Para atuar em um outro país o corretor tem que seguir uma regra mínima e é por isso que tem que haver regulamentação'', justificou o presidente do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis do Brasil (Cofeci), João Teodoro da Silva. Segundo Silva e o presidente do CIMECH, o uruguaio Wilder Ananikian, estavam ocorrendo casos de corretores atuando fora do seu país sem respeitar as regras de onde estavam. Além disso, com a integração as entidades do setor acreditam que o volume de negócios deve aumentar. ''Ainda não temos como prever. Mas é possível que no começo fechemos cerca de 3 mil negócios por ano'', estimou Ananikian.
Depois que a união se concretizar, vai estar disponível em uma página na internet toda a oferta de imóveis dos cinco países, a qual os corretores terão acesso. Assim, o próprio profissional brasileiro vai poder atender um cliente do Brasil que queira um imóvel em qualquer um dos outros quatro países. Segundo Ananikian, o corretor brasileiro entrará em contato com o profissional do país onde está procurando o imóvel, acontecendo a integração. O registro para o corretor atuar fora do seu país vai ter validade de dois anos. E para obtê-lo basta o profissional apresentar a documentação normalmente exigida no país onde quer atuar.
Apesar de com o novo modelo acontecer uma espécie de divisão do lucro, já que antes o consumidor brasileiro tinha que procurar diretamente alguém no outro país, o presidente do CIMECH garante que os corretores estão gostando da integração justamente porque vai aumentar o número de negócios e porque acabará com a ilegalidade, ''que de maneira geral é sempre prejudicial para o setor.'' ''Os corretores tinham interesse nisso. No Brasil pelo menos 20% dos corretores se interessaram'', afirmou Silva. Com a medida, os órgãos representativos de cada país vão ter meios mais sólidos, já que estarão embasados no documento de integração, de fiscalizar os que não atuam dentro das regras.
Tanto Silva quanto Ananikian garantem que a nova fórmula de se negociar imóveis entre os cincos países não vai aumentar o preço para o consumidor. ''Esse é mais um benefício que o Cofeci está conquistando para o setor. E não vai aumentar o preço dos imóveis. Pelo contrário, quanto mais desonerarmos melhor'', afirmou Silva. No Brasil, segundo o Cofeci, são 180 mil corretores de imóveis. Já nos cinco países juntos, 240 mil. A CIMECH está estudando também a formulação de um código de ética e uma legislação universal para os países membros do grupo.


