Corretoras apostam na venda da Telebrás
Kraw Penas/Arquivo FolhaNegócios em quedaO presidente da Bolsa de Valores do Paraná, Abílio Peixoto, diz que os fundos de renda fixa contribuíram para espantar os pequenos investidoresA maioria das corretoras brasileiras aguarda com ansiedade a definição do cronograma de privatização do Sistema Telebrás, na esperança de impulsionar as operações nas Bolsas de Valores. O ministro das Comunicações, Sérgio Motta, deve dar hoje os detalhes da venda da Telebrás em uma entrevista coletiva à imprensa. Desde ontem as corretoras já estão atentas para tentar descobrir o que o ministro pretende anunciar.
As corretoras querem recuperar a queda na movimentação financeira sofrida com a crise no mercado financeiro asiático. Desde fim de outubro, as Bolsas de Valores acompanham a saída de investidores que migraram para outras formas de aplicação do dinheiro. O presidente da Bolsa de Valores do Paraná, Abílio Peixoto, estima que a queda no volume de negócios chega a 30% neste início de ano em relação aos meses de setembro e outubro.
O pregão da Bolsa de Valores de São Paulo deveria fechar o dia de ontem com uma movimentação média de R$ 700 milhões. Antes de estourar a crise asiática, o pregão chegava a totalizar R$ 1 bilhão. A queda foi provocada porque muitos pequenos investidores passaram a considerar arriscado manter o dinheiro aplicado no mercado financeiro. Os fundos de renda fixa, que começaram a remunerar melhor, também contribuíram para espantar os investidores das ações.
Mas na média anual, a queda não é significativa e pode se diluir em 10% ou 12%, avalia Peixoto. A redução no volume de negócios ainda não é motivo para preocupação por parte das corretoras. Estamos acostumados a trabalhar num mercado que oscila muito, afirmou o presidente da Bolsa. Ele admite que vai haver um pouco de queda no faturamento das corretoras.
A avaliação feita pelos corretores é que o ano de 1998 será bom para o mercado financeiro devido ao processo de privatização. É o evento financeiro do ano, diz Peixoto. Dono da Databank Corretora, ele reforça que o mercado aguarda a privatização da Telebrás para alavancar e impulsionar a compra e venda de ações.
As ações da Telebrás estão recuperando o preço que tinham antes da queda mundial das Bolsas de Valores. No pico da valorização no ano passado, o lote de mil ações foi comercializado por R$ 180. No pior momento, as ações foram vendidas por R$ 90 e hoje estão sendo ofertadas por R$ 120. À medida que avança o processo de privatização, os papéis da Telebrás tendem a valorizar.





