Corretoras apostam em recuperação
Trabalhar carteiras de ações danificadas pela crise mundial, tem sido o papel quase que dioturno de corretoras que operam na Bovespa. A receita não é nova e pode servir para investidores que operam sozinho neste mercado. As companhias citadas e os fundamentos para investir são linguagem corrente entre corretores, havendo uma ou outra discordância.
O gerente da Corretora Um de Londrina, Thiago Schietti, sugere investimentos em empresas, que além de pagar pela valorização dos papéis, pagam dividendos. Já Dalton Baub, da Corretora Método, sugere também a compra de ações de companhias que estejam com proteção (hedge) no mercado futuro, como o setor elétrico de transmissão de energia.
Aliás, segundo estes especilialistas em mercado, as elétricas possuem fluxo de caixa estável, baixo endividamento e são ótimas pagadoras de dividendos. Baub diz que as ações das companhias Geração Tiete (GETI3) e Transmissão Paulista (TRPL4) devem pagar só de dividendos este ano 15%.
O setor de mineração, onde a Vale é a Blue Chips (ações de primeira linha) do mercado brasileiro, desponta com recuperação até o final deste ano. Schietti diz que o motivo é a diminuição dos estoques de minério de ferro no mundo. Além deste aspecto, EUA e China estimulam o mercado este ano com pacotes econômicos, que devem alavancar a indústria de transformação. O gerente da Um lembra que a Vale desvalorizou 50% nos últimos meses e a tendência será de alta no longo prazo.
Ainda sobre Blue Chips, Baub comenta sobre as ações da Petrobras. ''Se o governo não usar o dinheiro da Petrobras para outros gastos que não sejam novos investimentos em petróleo, as ações desta companhia irão valorizar no longo prazo'', afirma Baub.
No setor bancário há discordâncias de visões sobre o que deve acontecer. Schietti argumenta que 35% do faturamento dos bancos provem do setor de venda de seguros. ''Mesmo com a restrição do crédito, a crise não vai atrapalhar a desenvoltura das ações bancárias na bolsa'', afirma o gerente da Um. Baub da Método pondera que o empréstimo é a fonte de lucro dos bancos e que a falta de crédito vai acabar fazendo com que investidores vejam com maus olhos as ações do setor bancário.
Empresas de bebida, como a Ambev (BBDC4), tem ações que não sofrem com os humores da crise, pois possuem o que o mercado chama de demanda inelástica. ''Isto é, a demanda por bebida não é afetada pelas variações externas e internas da economia'', explica Schietti. Na mesma situação estão as ações de cigarro, como Souza Cruz (CRUZ3), que só tem como inimigo a pirataria. ''A Souza Cruz é líder nacional na venda de cigarros e uma das maiores exportadoras mundiais'', afirma Schietti.
As ações de companhias de cartões de crédito, como a Redecard (ROCD3), também inspiram dúvidas. Enquanto Schietti fala que o setor deve crescer e com isso valorizar os papéis, Baub é cauteloso ao falar que a queda no consumo retrairá o uso do dinheiro de plástico. Mas há concordância entre as corretoras quanto ao comportamento de Redecard nos últimos anos, sem grandes quedas ou valorizações de grande importância.(E.P.F.)





