Correntistas trocam de bancos para fugir dos juros
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sábado, 22 de setembro de 2012
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
De cada cinco clientes de bancos, três consideram a possibilidade de trocar de instituição financeira diante da oferta de juros menores. As informações da pesquisa do instituto Data Popular, especializado em pessoas de baixa renda, são confirmadas por balanço de agosto do Banco Central, que registrou o recorde de 50.337 operações de portabilidade de crédito entre instituições bancárias, provavelmente motivadas por taxas melhores para quitar dívidas. Mais ainda, mostram que o consumidor brasileiro está mais atento às taxas cobradas para evitar o endividamento.
Na tentativa de estimular o consumo, o governo brasileiro apelou, no final de agosto, à redução de 8% para 7,5% da taxa Selic, que serve como base para a determinação dos juros, e pediu aos bancos públicos que sigam a tendência de cortes nas tarifas. Assim, as instituições privadas precisariam fazer o mesmo para manter a competitividade.
Como o governo foi atendido pela Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, que anunciaram em seguida redução das taxas de cartões de crédito em até 52%, o consultor financeiro pessoal e empresarial Charles Vezozzo diz que há expectativa de que a medida do governo dê resultado. ''É um movimento liderado pelos bancos públicos e a tendência é que os privados tenham de fazer uma readequação.''
Vezozzo orienta que os devedores procurem as instituições com as quais têm dívidas para negociá-las, mas que mudem de banco caso tenham oferta de prazos e de juros melhores. É possível até mesmo fazer um empréstimo para quitar vários débitos, desde que com taxas mais baratas. ''A primeira coisa a se fazer é indentificar que tipo de endividamento se tem e quais os juros pagos, para buscar opções depois'', afirma o consultor, que considera que as pessoas com quem conversa estão mais conscientes sobre juros.
O coordenador do projeto de Finanças Domésticas Sustentáveis da Universiodade Estadual de Maringá, Antônio Zotarelli, lembra que houve aumento do endividamento e que, por isso, ocorreram mais operações de transferência de crédito, ou de dívidas, entre bancos. Porém, ele alerta que o correntista deve analisar todo o pacote. ''Os bancos oferecem um serviço padrão, mas, de repente, a redução dos juros não compensa o aumento da taxa de manutenção da conta, por exemplo'', explica. Vale a pena lembrar que não deve ocorrer cobrança de tarifa ou de imposto para a transação de portabilidade.
Descontentamento
A pesquisa do Data Popular aponta ainda 71,3% dos 5.182 entrevistados reclamam de mau atendimento nas agências. Sobre informações prestadas, 58% disseram que não se sentem totalmente confiantes sobre juros e tarifas cobrados.
Mesmo assim, 53% acreditam que os bancos públicos oferecem as melhores taxas. A Caixa aparece na frente, com 39,2%, seguida pelo Banco do Brasil, com 13,8%. Porém, 11,7% acreditam que são os privados que têm os juros mais baixos, com liderança do Bradesco no quesito, com 4,7%. O Itaú/Unibanco vem na sequência, com 3,8%. Outros 35,3% não sabem distinguir quem tem as menores taxas, entre públicos e privados.
Quanto a mudar de banco em caso de oferta de taxas mais baratas, 12,7% não souberam opinar e 29% disseram que não trocariam de instituição. Para Zotarelli, há resistência de certos clientes em mudar de marca, por considerar a fidelidade como uma vantagem. ''Fica a impressão de que, por ser cliente antigo, pode-se conseguir juros menores ou crédito com mais facilidade.''
Isso explicaria por que 46,4% dos correntistas de bancos privados consideram que são as instituições públicas que têm as menores taxas de juros. No caso de clientes da Caixa e do BB, 58,3% acreditam que têm contas com as menores taxas. A pesquisa foi feita no segundo trimestre deste ano.


