Correntistas ignoram CPMF na véspera
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quinta-feira, 23 de janeiro de 1997
Carmem Murara 
Sucursal de Curitiba
Kraw PenasÚltima horaCom a calculadora na mão, a comerciária Simone Raffs quer controlar a movimentação da conta corrente
As agências bancárias da região de Curitiba tiveram ontem um dia com movimento normal de clientes, apesar da véspera da entrada em vigor da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Os correntistas e poupadores decidiram não se incomodar com a antecipação de pagamentos de contas ou mudanças de última hora nas aplicações financeiras. A maioria seguiu o conselho dos gerentes dos bancos, que orientaram as pessoas a manter o dinheiro em aplicações de médio e longo prazos.
A gente só recebe no final do mês, por isso não adianta tirar dinheiro de uma aplicação e pagar juros de até 11% para pagar contas que estão para vencer, afirmou o bancário Álvaro Dib. Ele disse que não pretendia fazer qualquer modificação em suas aplicações por causa da CPMF. Ele classificou o imposto como injusto e ineficiente.
A mesma avaliação teve a auxiliar de produção Eva Bersani. Ela acha ainda que o imposto não mudará em nada a situação da Saúde Pública no País. Isso é só para arrancar dinheiro do povo, disse, na fila do banco. Ela pensa em não mexer na poupança nos próximos três meses para evitar o desconto.
Com uma máquina de calcular na mão, a comerciária Simone do Rocio Raffs disse que vai ter de controlar melhor a emissão de cheques e os saques no caixa eletrônico. Teremos que encontrar uma solução para se livrar da CPMF, afirmou.
A alternativa proposta pelos bancos é manter o dinheiro em aplicações de longo prazo. Os fundos de curto prazo praticamente desaparecem a partir de hoje. Deixar o dinheiro nos FIFs, que têm remuneração diária, pode representar prejuízo para quem retirar o dinheiro antes de 10 dias. É melhor manter o dinheiro na conta corrente a aplicar nos fundos de curto prazo, orientou a gerente de negócios da agência Centro Cívico do Banco Banestado, Maria Filomena de Freitas.
A maioria vai
manter o dinheiro
em aplicações de
médio e longo prazos
Ela disse que o pouco movimento de clientes na agência bancária aconteceu por causa da estratégia do banco, que passou as últimas semanas orientando as pessoas sobre a melhor forma de se livrar da CPMF. A divulgação antecipada das regras para o desconto da contribuição foi a estratégia usada pela maioria dos bancos.
O gerente da Caixa Econômica Federal da agência Zacarias, Getúlio Luiz Ribeiro, disse que o banco telefonou para os maiores clientes dando dicas para a melhor aplicação. A maioria das pessoas que tem conta aqui, ligou para dizer aonde pretendia manter o dinheiro, afirmou o gerente.
Alguns bancos, entre eles a Caixa Econômica, reduziram de 90 para 60 dias o prazo para o desconto da CPMF na poupança. O Banestado e o Bamerindus mantiveram a poupança trimestral. O Banestado isenta o cliente do desconto da CPMF se ele mantiver o dinheiro na poupança por três meses a contar do próximo aniversário da conta. Já o Bamerindus ampliou a vantagem. O banco liberou o desconto se a conta não tiver sido movimentada nos últimos três meses.
Quem aplicou dinheiro na poupança no dia 23 de outubro já está livre da CPMF, afirmou o diretor de produtos do Bamerindus, Paulo Renato Steiner. Ele acredita que a entrada em vigor da CPMF provocará uma mudança no perfil do cliente. Para Steiner, a tendência é manter o dinheiro por mais tempo em cada aplicação e reduzir o número de emissão de cheque.


