Correio quer fatia maior no mercado de encomendas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) quer conquistar uma fatia ainda maior do mercado de remessa de encomendas no Brasil e vai lançar novos produtos no mercado para atrair clientes. A estratégia incluirá o envio de correspondências em menos de 24 horas entre as capitais brasileiras. O objetivo da estatal é conseguir maior lucratividade com esses produtos, que correspondem a 92% da receita da empresa, para evitar o aumento nas tarifas dos serviços postais.
O presidente da ECT, Amílcar Gazaniga, afirma que a empresa não pretende aumentar, por enquanto, o valor das cartas simples (R$ 0,15), mesmo sendo um valor inferior ao custo e não obstante o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, já ter anunciado que quer o fim dos subsídios cruzados.
A carta simples ainda tem um subsídio, e a idéia é acabar com ele, diz Gazaniga. Segundo ele, não seria oportuno nem necessário fazer alterações nos preços. Não queremos criar um problema político por nada, avisa. Isso não resolveria o problema de lucratividade da ECT. Esse tipo de correspondência responde por apenas 8% do faturamento da empresa.
Para conquistar esse objetivo foi lançado hoje o Programa de Qualidade Total da ECT, que inclui investimentos de R$ 576 milhões em 1997 em novos equipamentos, treinamento de pessoal, modernização e criação de novas agências. Nossa filosofia é sermos competitivos, ter lucratividade onde não somos monopólio, explica Gazaniga.
A empresa vai atacar nichos de mercado hoje ocupados também por empresas áreas, transportadoras e até multinacionais, no caso das encomendas internacionais. Entre 1991 e 1996, a quantidade de objetos transportados pela estatal saltou de 3,3 bilhões para 6,3 bilhões.
Uma das estratégias adiantadas pela diretoria da empresa é a criação de encomendas expressas que permitirão efetuar entregas em menos de 24 horas, ainda que a custo um pouco mais elevado. Queremos oferecer aos clientes a possibilidade de entregar sua encomenda no mesmo dia em que ela for postada, diz o presidente da ECT.
A empresa quer também espalhar pelo País o Disque-Sedex, uma forma de postagem domiciliar de encomendas. O alvo dessas estratégias são os grandes consumidores da estatal, como bancos e empresas.
Gazaniga afirma que, para o consumidor individual, o Programa de Qualidade é uma garantia de que não haverá aumentos de tarifas. A empresa quer ainda voltar a entregar as cartas simples em até 48 horas, o que é considerado padrão de qualidade ideal. O índice de entregas de correspondência dentro do prazo caiu de 90% em 1991 para 83% no ano passado.
Entre grandes capitais, como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba, as cartas ainda poderão chegar no dia seguinte. Quanto à possibilidade de entregar uma carta no mesmo dia, Gazaniga adverte que, já que não há possibilidade de aumentar tarifas, a única opção será colocar o envelope em uma encomenda de Sedex.


