O governo chileno quer a adesão e o apoio do setor privado para concretizar a construção de um corredor bi-oceânico entre o Atlântico e o Pacífico. O projeto foi apresentado ontem pelo ministro de Obras Públicas e Transportes, Carlos Cruz, a uma centena de empresários paulistas, durante o encontro-empresarial Brasil-Chile, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Em entrevista exclusiva à Agência Estado, o ministro explicou que, nos próximos meses, deve ser assinado um protocolo de intenções entre os governos brasileiro e chileno, além de empresários dos dois países, para acelerar a concretização desse projeto.
O principal entrave para a ligação rodoviária entre o Atlântico e Pacífico, no momento, está relacionado à ampliação, reforma e pavimentação de um trecho de 460 quilômetros de rodovia na Bolívia. Para isso, seriam necessários, pelo menos, US$ 500 milhões, recursos que o governo boliviano não dispõe, dada a sua situação econômica. ‘‘Gostaríamos que o setor privado, tanto do Chile como do Brasil, aderisse a esse projeto que, certamente, trará amplos benefícios no transporte de carga e de passageiros para os países por onde o corredor bi-oceânico passaria’’, disse Cruz.
O projeto, acrescentou o ministro, será apresentado também durante a reunião de cúpula sul-americana, em Brasíla, entre os dias 31 de agosto e 1º de setembro, que contará ainda com a presença dos presidentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Corporação Andina de Fomento (CAF).
O corredor bi-oceânico – Santos/São Paulo/Ourinhos/Campo Grande/Corumbá/San José de Chiquitos/Santa Cruz/Cochabamba/Partacamaya/Arica – é uma das priporidades do governo do presidente Ricardo Lagos no processo de integração física do Mercosul. Lagos, que esteve reunido com o presidente da Fiesp, Horacio Lafer Piva, insistiu por diversas vezes durante a sua apresentação sobre a necessidade de aperfeiçoar a infra-estrutura da região.
Com a Argentina, os chilenos têm outro projeto similar, que também esbarra em um trecho da Cordilheira dos Andes, onde o trânsito de veículos fica interrompido por um período de dois meses por causa do inverno, deixando sem comunicação rodoviária os dois países. Para superar esse obstáculo, seriam necessários outros US$ 160 milhões, recursos que permitiriam a construção de um túnel sob a cordilheira.

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