Nas ''passarelas'' do noroeste do Paraná, a moda dita o ritmo das indústrias e do comércio da região. Nada de crise, retração ou desemprego; Maringá, Cianorte e outras dezenas de pequenas cidades próximas impressionam por tornar o setor de vestuário do Estado no segundo maior centro atacadista de confecções do País, conhecido como Corredor da Moda. A FOLHA foi conferir o que faz esta região tão atrativa, conversou com especialistas e empresários do setor têxtil e montou um panorama geral da indústria fashion no Estado, saindo das tradicionais facções e se transformando em grandes grifes.
Dados da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) apontam que o setor gera, em todo o Paraná, cerca de 92 mil empregos, distribuídos em mais de 4,5 mil estabelecimentos, com faturamento de R$ 1,4 bilhão e massa salarial de R$ 478 milhões. Só no Corredor da Moda, que abrange uma distância de 70 km entre Maringá e Cianorte, estão concentrados mais da metade dessas vagas, cerca de 1,26 mil indústrias (28% do total) e salários que ultrapassam os R$ 60 milhões. ''O mercado é forte e o setor por aqui está muito bem organizado. Este ano, o crescimento deve atingir 6% tranquilamente, com as indústrias deixando a facção e criando suas próprias grifes'', salienta Élvio Saito, consultor do Sebrae em Maringá.
De fato, grande maioria das indústrias do noroeste vislumbram possuir marcas próprias. Das mais 140 milhões de peças fabricadas por ano na região, 90% são desenvolvidas por micros e pequenas empresas entre 20 e 30 funcionários. ''O forte do setor é a moda feminina e o jeans. Só para se ter uma ideia, de dez calças jeans produzidos no Brasil, seis são fabricados no Paraná e quatro no Corredor da Moda. Além disso, com o aumento da qualidade nos últimos anos, os produtos estão com boa aceitação entre o público A e B, o que antes não acontecia'', retrata Saito. Dentre os estados que melhor absorvem a produção estão o próprio Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, mas segundo o consultor, ''com os mercados do Norte e Nordeste em um momento bem atrativo para os empresários''.
Jeans feminino
Altamiro Ferreira possui uma pequena grife de jeans feminino em Cianorte desde 2005, a La Purpurata. Com apenas cinco funcionários e um espaço de 200 metros quadrados, Ferreira vê sua firma crescer pelo menos 15% ao ano, muito acima dos números oficiais. ''Como terceirizo a criação, a lavagem e o acabamento do meu produto, acabo agilizando a produção do jeans, minha empresa fica enxuta e consigo brigar com os grandes do setor'', relata o empreendedor.
Com ''feeling'' para distinguir quais serão as tendências das próximas estações, Ferreira consegue produzir 30 mil peças ano, sendo 25 jeans diferenciados por coleção. ''Faço só sob pedido e o preço de mercado fica em torno de R$ 72 por calça. Estamos localizados numa região de confecção muito forte, onde não precisamos buscar nada de fora para criarmos nossos produtos'', retrata o satisfeito Altamiro, que pretende dobrar o espaço físico de sua empresa, investir no marketing das coleções e trabalhar com mais produtos femininos.

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