''Para ser um bom Papai Noel, o governo teria que reajustar a tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRFP) englobando as deduções com saúde, educação e dependentes''. A crítica bem-humorada é do economista Laércio Rodrigues de Oliveira, professor universitário em Londrina, referindo-se à correção de 10% da tabela do IR que vale somente para as faixas de rendimentos. Para as deduções continuam valendo os mesmos limites deste ano. ''Com isso, o assalariado só ganhou metade do presente de Natal'', complementou.
Opinião idêntica tem o presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina, Geraldo Fauto da Silva. ''O reajuste poderia ser melhor, o salário já vem sofrendo com o arrocho das empresas, então acredito que era possível melhorar esse índice para, pelo menos, 15%. Para nós, foi uma correção tímida'', opinou o sindicalista, lembrando que a última correção da tabela, no final de governo de Fernando Henrique Cardoso, o percentual foi de 17,5%, embora as perdas salariais fossem maioroes naquele período.
Para Oliveira, o percentual de correção foi baixo, mas de qualquer forma a classe média será beneficiada com o reajuste. ''A classe média é formada pela maioria dos assalariados com desconto em folha. Então ela não tem como não ter esse benefício. Sobrará mais dinheiro para o orçamento do assalariado'', prevê Oliveira.
O problema, segundo ele, não é o valor do imposto pago, mas o que o contribuinte recebe de volta do governo. ''Tudo que se paga por algo que não é bom, ainda é caro'', argumenta ele, exemplificando: ''O imposto direto (IR) só é pago por quem tem o que receber, já o indireto, embutido na alimentação, telefonia, segurança, entre outros itens, todo mundo é obrigado a pagar. E, pior, acaba saindo caro se formos analisar o nível de nossa segurança, de nossas escolas e da saúde que temos no Brasil''.

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