Buenos Aires – O presidente argentino, Eduardo Duhalde, disse ontem que ‘‘o Corralito é uma bomba-relógio muito difícil de desativar e que, se explodir, ninguém receberá um peso’’, referindo-se à limitação da retirada do dinheiro depositado nos bancos. Em entrevistas a diversos jornais de Buenos Aires publicadas este domingo, o chefe de Estado assegurou que vai terminar o mandato que a Assembléia Legislativa lhe outorgou, que vai até dezembro de 2003, mas advertiu ao ‘‘Página/12’’ que ‘‘ninguém pode achar que em dois anos isto estará resolvido’’.
Duhalde afirmou que os ex-presidentes Carlos Menem e Fernando de la Rúa são os maiores responsáveis pelo que aconteceu no país nos últimos anos. Consultado pelo ‘‘Clarín’’ sobre a crise que a Argentina atravessa, ele disse que ‘‘Menem, a partir de 1995, não advertiu de que teria que fazer uma mudança em defesa dos interesses nacionais (...) e De la Rúa agravou a situação’’.
O chefe de Estado argentino disse ao jornal que ‘‘o Corralito trava o funcionamento da economia e isso repercute na receita fiscal, que a cada dia é menor. É uma roda perversa (...) Hoje, minha principal responsabilidade é encontrar uma solução para que as pessoas possam dispor de seus depósitos o mais rapidamente’’.
Consultado pelo ‘‘Página/12’’ sobre a possibilidade de se estabelecer responsabilidade pela crise financeira, Duhalde respondeu que ‘‘é muito possível que o país tenha sido saqueado (...) Aqueles que saquearam o país têm que prestar contas. Serão o Congresso e a Justiça que terão que se dedicar a isso’’.

mockup