Buenos Aires - O presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, confirmou ontem que ‘‘há uma decisão de que em um prazo máximo de quatro meses o corralito dos depósitos, dos prazos fixos e contas-poupança esteja suspenso’’. Porém, o presidente admitiu que ainda não tem o plano completo para tomar esta medida e afirmou que ‘‘hoje vai ter o primeiro rascunho do que o Ministério de Economia está aconselhando’’ sobre o assunto.
Em entrevista coletiva à imprensa, Duhalde mandou um recado aos bancos: ‘‘Eles sabem que a Argentina é um país de enorme potencialidade e que, quando estiver bem, poderão fazer bons negócios’’, numa referência às ameaças de alguns bancos de fecharem suas portas, como o Banco Río e o Scotiabank Quilmes. Este último se encontra sob intervenção do Banco Central e sem esperanças de um acordo com o governo para continuar suas operações no país.
Sobre o Fundo Monetário Internacional (FMI), Duhalde afirmou que ‘‘nesta ou na próxima semana’’ estarão votadas as leis exigidas pelo organismo e que ‘‘o objetivo central é chegar a um acordo com o FMI, obter créditos e potencializar a Argentina’’. Porém, questionou declarações de funcionários do governo norte-americano de que o FMI tem um plano econômico para o país. ‘‘Não tem explicação, nem lógica que o Fundo apresente seu plano’’, disse Duhalde, que considerou tais declarações ‘‘um absurdo’’. ‘‘Essa declaração só pode ter sido tirada de contexto’’, disse ele.
O dólar se manteve estável e fechou ontem em 3,20 para venda e 3,10 para a compra. Nas instituições que não operam sob ordem do Banco Central, a moeda fechou em 3,27 (venda) e 3,13 (compra). As taxas de juros também permaneceram estáveis em seus elevados níveis de 115% para o overnight entre os bancos de primeira linha. Já os bancos menores tiveram que pagar mais caro ou 140% para manter a liquidez.

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