Corpo de Celso Furtado é enterrado no Rio
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segunda-feira, 22 de novembro de 2004
Agência Estado 
Rio - Uma salva de palmas e o ''Hino da Independência'' marcaram ontem a despedida a Celso Furtado. O corpo do economista foi sepultado ontem, por volta do meio-dia, no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Cemitério São João Batista, na zona sul do Rio. O escritor, que sofreu uma parada cardíaca na manhã de sábado, ocupava a cadeira de número 11 da academia e foi velado na sede da ABL da tarde de sábado até a manhã de ontem. Em torno de 200 pessoas compareceram ao velório, entre família, ministros, políticos, imortais e amigos.
A ausência mais sentida foi a de um amigo pessoal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nenhum representante oficial se apresentou. Segundo políticos presentes, Lula estava com a agenda comprometida com a visita do presidente da Rússia, Vladimir Putin. Por volta das 10 horas, foi enviada ao velório uma coroa de flores assinada por Marisa e Luiz Inácio Lula da Silva: ''Com respeito e admiração ao grande brasileiro''.
Governos e empresas públicas já preparam homenagens ao economista. A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), anunciou que a partir de hoje a ponte do Morumbi, na Marginal Pinheiros, uma das principais vias expressas de São Paulo, se chamará Celso Furtado. O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PMDB), comentou que não pretende fazer uma homenagem ''piegas'', mas confirmou que estuda uma forma de reverenciar o economista, que nasceu no interior do Estado.
A mulher de Furtado, jornalista Rosa Freire D'Aguiar Furtado, disse que o economista tinha uma grande fé no Brasil. ''Apesar de certo desconforto com certas coisas do governo, ele (Furtado) tinha muita confiança ainda no Lula e achava que não devia fazer nada para atrapalhar'', afirmou.
''A morte do economista Celso Furtado é uma grande perda para os brasileiros porque ele era um grande brasileiro e um grande patriota. Eu diria que ele foi o economista brasileiro mais importante de todos os tempos, conhecido aqui e no exterior'', disse o ministro do Planejamento, Guido Mantega, que vai assumir a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ressaltou a importância de Furtado. ''Eu acho que o Celso Furtado está aqui dizendo ainda com muita força ao presidente Lula, ao ministro Antonio Palocci e a todos que o admiram: tratem de promover o desenvolvimento, tratem de combater a inflação, mas com o crescimento da economia e com aumento de oportunidades de emprego'', afirmou o senador.
Segundo o prefeito do Rio, Cesar Maia(PFL), a economia morre com o falecimento de Furtado. ''O século 20 no Brasil, na política e na economia terminou em 2004. Terminou na política com o falecimento do governador Leonel Brizola, no dia 22 de junho, e terminou na economia com a morte de Celso Furtado'', afirmou.
Um dos primeiros a homenagear Furtado no velório, o líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, espera que a morte de Celso Furtado sirva de exemplo à equipe econômica. ''Eu vejo que a memória dele é mais do que atual para mostrar ao governo que é possível outra política econômica. A defesa que só é possível o neoliberalismo é uma burrice que o próprio Celso denunciava nos últimos anos de sua vida'', disse.


