Perto de R$ 30 milhões serão investidos na construção do moinho de trigo da Corol Cooperativa Agroindustrial, instalada em Rolândia (25 km a oeste de Londrina). As obras começam em 30 dias e o projeto deve começar a funcionar no final de 2008. A capacidade produtiva inicial do moinho será de 128 mil toneladas de farinha e farelo. Cerca de 70% do investimento será financiado pelo Banco Regional de Desenvolvimento (BRDE), o restante vem de recursos próprios da Corol.
Ontem, durante o anúncio do empreendimento, o presidente da cooperativa, Eliseu de Paula, disse que o objetivo do moinho é transformar o produto primário em industrializado. ''A partir da industrialização o grão ganha mais valor agregado e será mais rentável para os associados'', afirmou. Atualmente a Corol conta com 1,4 mil cooperados.
Como vem acontecendo com outras agroindústrias da Corol - a industrilização da uva, da laranja, da cana - o trigo produzido pelos associados será destinado ao moinho. ''O associado será o dono do moinho, e diferente do que acontece hoje, ele vai ganhar com o lucro da industrialização. Atualmente existem quatro ou cinco grandes compradores de trigo no País, mas milhares de consumidores de farinha. Eles vão obter um lucro enorme, é liquidez certa'', comentou De Paula.
Conforme ele, a Corol vai subsidiar a produção dos produtores. Além disso, técnicos da cooperativa vão indicar variedades do grão propícias para a industrialização. ''Hoje o trigo está nivelado por baixo, não importa a qualidade. A Corol vai trabalhar com a segregação do produto''. De Paula acrescentou que o trigo é uma excelente opção para os produtores, o clima este ano está favorável. Fora isso, a região tem áreas ideais para o cultivo do grão.
Com aproximadamente 12 mil metros quadrados, o moinho de trigo será construído ao lado do graneleiro - unidade que recebe os grãos - da Corol, localizada em Rolândia, na saída para Arapongas. ''Vamos aproveitar a infra-estrutura que já temos'', disse o presidente da cooperativa. A capacidade do graneleiro é de 900 mil toneladas de grãos. Além da farinha, a cooperativa planeja produzir massas, como macarrão.
Para Carlos Azzolin Olson, superintendente da agência do BRDE de Curitiba, o financiamento oficializado ontem já vem sendo discutido desde o ano passado, destacando-se como a segunda maior liberação do banco em 2006. ''É uma parceria de continuidade. Há 30 anos trabalhamos com a Corol'', comentou Olson. Ele frisou que o investimento será importante para a região por ser uma das maiores produtoras de trigo. Os recursos são originados do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e liberado através do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). O BRDE planeja investir cerca de R$ 100 milhões na região norte do Estado ainda este ano.
O produtor de trigo Cláudio Vicenti D'Agostine achou interessante o projeto do moinho e vislumbrou melhores rendimentos para sua produção. ''Tenho a perspectiva de que nosso produto será mais valorizado. Além de ganhar com a venda do grão, vamos ganhar no final, com a industrialização do produto'', concluiu.

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