Economistas do Conselho Regional de Economia (Corecon) consideraram ontem ‘‘salutar e necessária’’ a privatização do Sistema Telebrás, mas fizeram uma ressalva quanto ao destino que o governo vai dar ao dinheiro obtido com a venda da estatal. Para a maioria deles, o governo peca no momento em que pretende canalizar todo o resultado da venda para pagar parte do déficit público. A dívida interna do País está avaliada em R$ 330 bilhões e o dinheiro da Telebrás, estimado em R$ 13 bilhões, servirá apenas para cobrir parte dos juros incidentes.
O ex-presidente do Banestado e membro do Corecon, Luiz Antonio Fayet, avaliou que a economia do País não irá ter os avanços esperados. ‘‘Se for tudo para a dívida não vai refletir em nada no desenvolvimento da economia nacional’’, afirmou Fayet. Ele disse ainda que outra preocupação é saber se os consórcios vão ter disposição para investir nos mercados pouco rentáveis como os pequenos municípios ou regiões pouco desenvolvidas.
O economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) Gilmar Lourenço também analisou a necessidade de se investir em projetos sociais. ‘‘O dinheiro da Telebrás poderia fazer com que o governo abrisse mão da CPMF por dois anos’’, sugeriu Lourenço, ao lembrar que o imposto do cheque rendeu aos cofres públicos R$ 6 bilhões no ano passado. Ele afirmou ainda que poderiam ser assentadas 320 mil famílias de sem-terra, 120 mil a mais dos que já foram assentadas durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
O consultor de empresas Sérgio Martenetz tem uma posição um pouco discordante da colocação de Fayet e Lourenço. Ele avaliou que usar o dinheiro da privatização para pagar a dívida ‘‘não é mau negócio’’, porque o governo paga caro pelo déficit público devido aos altos juros. ‘‘O bom senso deve ser o de diminuir a conta. Seria insensato dizer que não pagaria’’, declarou. Mas Martenetz concorda que o dinheiro do Sistema Telebrás irá virar pó no meio de um déficit público que, só de Previdência, mostra um rombo de R$ 11 bilhões.
Na avaliação dos economistas o governo federal precisa com urgência promover um reaquecimento da economia para reduzir a dívida interna. As reformas da Previdência e Tributária também são apontadas como essenciais para que o País volte a crescer. ‘‘O dinheiro das privatizações vai acabar logo e a dívida interna continua’’, afirmou Luiz Antonio Fayet.
Tempo realA Embratel informou ontem que transmitirá ao vivo, via Internet, amanhã, a partir das 10h, o leilão de privatização do Sistema Telebrás. Os usuários da rede mundial de computadores poderão acompanhar o leilão na íntegra por meio do site http://www.embratel.net.br.
Para assistir à transmissão em tempo real, o interessado deverá conectar-se à rede na data e hora programadas e clicar o ícone do leilão. A Embratel informou que é necessário que a pessoa disponha de microcomputador com placa de som, acesso à Internet a uma velocidade mínima de 28.8 Kbps e do programa ‘‘Software Real Layer’’ instalado.

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