Coreanos querem produzir celulose do caule de milho
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segunda-feira, 21 de março de 2005
Da Redação 
Curitiba - Produtores de milho do Paraná poderão ser parceiros de empresários sul-coreanos num projeto de transferência de tecnologia para produção de celulose e papel a partir do caule de milho. As informações são da Agência Estadual de Notícias.
Ontem uma comitiva de empresários da Coréia do Sul, organizada pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Coréia foi recebida pelo secretário de Agricultura e Abastecimento em exercício, Newton Pohl Ribas. Thomaz Choi, presidente da Câmara e Luiz Lessa, conselheiro, acompanharam Seung Eun Roh e Sung Wook Chang respectivamente presidente e diretor da Corn Pulp & Paper Co. Ltd.
A empresa sul-coreana está interessada em exportar a tecnologia de produção de celulose e papel baseada na utilização do caule de milho. Newton Ribas afirmou que o Governo do Paraná recebe a proposta com interesse. ''Além de criar uma alternativa de receita, gerando emprego e renda no campo, a tecnologia desenvolvida pela empresa utiliza matéria-prima realmente renovável, agregando valor em um produto que atualmente não tem uso econômico'', destacou.
O Paraná é o terceiro produtor nacional de milho, com uma produção de mais de 10.600 milhões de toneladas de grãos nesta safra, considerando as perdas causadas pela estiagem que atingiu o milho-safrinha. Segundo especialistas, uma lavoura de milho apresenta após a colheita 15% de matéria orgânica, e 25% de caule, o que dá a dimensão de seu aproveitamento econômico.
Outra vantagem é o tempo de produção do milho se comparado com a madeira, matéria-prima atualmente utilizada na produção de celulose e papel, que é de 12 anos. ''Enfrentamos uma crise mundial no setor'', afirmou o presidente da Câmara Brasil-Coréia, Thomaz Choi. ''Somos grande importadores de celulose, e com a tecnologia desenvolvida baseada no caule do milho temos condições de produzir celulose e papel a um custo mais baixo, gerando um produto de qualidade e mais competitivo do que a partir da madeira'', afirmou o empresário.
Segundo ele, o Governo da Coréia do Sul tem interesse em estreitar as relações comerciais no Brasil, garantindo a implantação da tecnologia, a compra e importação do que for produzido no país.
O secretário Newton Ribas informou que o Departamento de Economia Rural da Secretaria vai aprofundar os estudos de viabilidade técnica e econômica do projeto, que possam dar sustentação ao seu desenvolvimento junto aos produtores de milho do Paraná.


