Copom vê inflação abaixo da meta
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quinta-feira, 22 de setembro de 2005
Agência Estado 
Brasília - A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, revelou que as projeções de inflação do Banco Central para este ano já estão abaixo da meta de 5,1%. É a primeira vez que isto ocorre desde outubro, quando o Copom anunciou que passaria a trabalhar com esta meta em 2005. Em junho, a expectativa ainda era de que a inflação medida pelo IPCA terminaria o ano em 5,8%.
O tom positivo do documento alimentou a expectativa de que o processo de redução das taxas de juros, iniciado na semana passada, quando o Copom reduziu a taxa Selic de 19,75% para 19,50% ao ano, deve continuar. Apesar disso, o Copom não deu uma sinalização clara sobre uma nova redução das taxas de juros na próxima reunião, em outubro.
O otimismo veio calcado no bom comportamento da inflação em agosto e na reavaliação para baixo das previsões de reajuste de tarifas públicas e itens com preços monitorados pelo governo. De acordo com a ata, a queda da inflação foi puxada pelo barateamento dos preços de alimentos e pelo impacto da valorização do câmbio sobre produtos importados ou negociados com o exterior. Além disso, o comportamento positivo dos preços do gás de botijão e das tarifas de energia elétrica ajudou a contrabalançar os efeitos do reajuste da gasolina anunciado pela Petrobras neste mês.
Outro ponto destacado pelo Copom foi o de que há mais espaço para o País crescer sem inflação. ''A atividade econômica deverá continuar em expansão, mas em ritmo condizente com as condições de oferta, de modo a não resultar em pressões significativas sobre a inflação'', prevê a ata. A razão para o otimismo é o crescimento dos investimentos, o que reforça a capacidade da economia de atender ao aumento da demanda. A ata ressalta que, no segundo trimestre, houve expansão de 4,5% da taxa de investimento e elevação de 28,3% das importações de máquinas e equipamentos para a indústria.
O Copom reduziu também sua estimativa de inflação para 2006, que ficou ainda mais abaixo da meta de 4,5%. No Relatório de Inflação do Banco Central de junho, a projeção era de 3,7% no próximo ano.
Apesar do otimismo com a inflação, o comitê não deu pistas sobre um novo corte dos juros. ''O Copom decidiu acompanhar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação até a sua próxima reunião para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária'', afirma a ata.


