Copom utiliza conceitos de núcleos para avaliar preços
Brasília - Para retirar o efeito de altas pontuais de determinados itens e poder avaliar melhor o comportamento médio dos preços nos últimos meses, o Copom utiliza os vários conceitos de núcleos do IPCA (índice que serve de referência para o governo) e conclui que ''a elevação dos núcleos de inflação revela que a aceleração de preços neste dois últimos meses não decorre exclusivamente de fatores sazonais, atingindo grande parte dos itens que compõem os índices''.
O núcleo do IPCA, descontando a variação do preços administrados por contratos ou monitorados e dos alimentos, atingiu 0,63% em dezembro, após cinco meses de estabildade entre 0,35% e 0,40%. Quando se retira da inflação total uma parte dos itens que registraram as maiores altas e as maiores quedas, também se verifica elevação do núcleo: de 0,56% em novembro para 0,72% em dezembro. Além disso, os diretores destacam que, enquanto em novembro 57% dos itens que compõem o IPCA sofreram reajustes, em dezembro esse porcentual passou para 64,8%, o que, segundo o comitê, ''ratifica essa percepção de maior disseminação das altas de preços''.
Para o BC, a recuperação econômica está acelerada, especialmente na indústria, que registrou aumento na produção de 0,8% em novembro. Esse crescimento vem sendo acompanhado de aumento de investimentos, o que ajuda a minimizar reflexos inflacionários. ''Somente o setor de bens de consumo semi e não duráveis, que depende mais fortemente dos rendimentos reais, ainda não vem apresentando taxas significativas de crescimento'', afirmam os diretores.
No entanto, como os estoques estão baixos, eles apostam numa continuidade da expansão industrial. O consumo também tem crescido, segundo os técnicos do BC, sobretudo nos setores mais dependentes de crédito, como automóveis e eletrodomésticos.





