Copom surpreende mercado e corta 2,5% da Selic
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quarta-feira, 20 de agosto de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que cortou ontem 2,5% da taxa básica de juros - a Selic - deve trazer somente reflexos de caráter psicológico, promovendo a retomada do desenvolvimento econômico apenas no último trimestre do ano. Com o corte, a taxa passou de 24,5% para 22% ao ano.
Por outro lado, a redução gradual, que, segundo o ministro do Planejamento Guido Mantega, não pode mais ser considerada ''conservadora'', como muitos críticos do governo diziam, ajuda na manutenção dos baixos índices inflacionários, além e manter no País o chamado ''hot money'', capital especulativo de investidores estrangeiros. Essas são algumas das conclusões tomadas por lideranças do comércio de Londrina, do Paraná e do economista político Laércio Rodrigues de Oliveira, professor do departamento de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
''A decisão do Copom tem um caráter mais psicológico no reaquecimento da economia, já que o comércio sempre se apega fortemente aos juros na hora de criar expectativas'', afirma o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Uzier de Carvalho. Para o presidente, a eficiência da medida vai respaldar o crescimento do varejo entre 5% e 10%, previsto pelos empresários paranaenses para o segundo semestre.
Ao mesmo tempo, os presidentes da Associação Comercial do Paraná (ACP), Marcos Domakoski, e da Associação Comercial de Londrina, David Dequêch Neto, cobram dos bancos um repasse maior da redução da Selic para os juros que incidem sobre os tomadores do dinheiro, ou seja, empresários que buscam crétido nos bancos. ''As três últimas reduções não implicaram em queda nas taxas para empréstimos ou em aumento da oferta de crédito'', disse Dequêch. ''Além do mais, a baixa demanda no mercado nacional - apontada como a maior causa da inflação baixa - não era explicada necessariamente pelos juros altos, mas sim pelo baixo poder aquisitivo do povo'', completa.
Domakoski lembra ainda que a redução de 2,5% sinaliza para um controle maior por parte do BC sobre a inflação, mas que a medida deveria ser acompanhada de outras decisões para o reaquecimento efetivo da economia, como a queda nos juros para os tomadores de dinheiro. ''A flexibilização do superávit fiscal, por exemplo, seria uma medida que, assim como a recente redução dos compulsórios (que incide sobre os depósitos bancários feitos à vista, hoje fixados em 45%), aumentaria o volume de dinheiro disponível''.
E apesar de afirmar que os juros básicos ideais para o Brasil deveriam estar entre 13% e 14%, o presidente eleito da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, disse que a redução significa ''um progresso e que pode ajudar o próprio governo, já que diminui a dívida pública e permite mais investimentos em infra-estrutura''.
O economista Laércio Rodrigues de Oliveira demonstra pleno acordo com a redução gradual da Selic. ''O maior volume de empréstimos do governo vem do setor privado. Se não houver remuneração para esse setor, os empréstimos cessam''. Oliveira ainda lembra que os juros altos ajudam a manter o capital especulativo no País, do qual o Brasil ainda é dependente. ''Além disto, uma redução mais drástica na taxa poderia não ser acompanhada pelo setor produtivo, o que ocasionaria excesso de demanda e, como consequência, inflação''.


