Copom surpreende e eleva juro a 15,75%
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quarta-feira, 21 de março de 2001
Agência Folha De Brasília 
O Banco Central surpreendeu o mercado e decidiu elevar em 0,5 ponto percentual os juros básicos da economia, que passaram de 15,25% ao ano para 15,75%. A decisão foi tomada na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) realizada ontem. O BC não aumentava os juros desde a crise decorrente da desvalorização do real, em março de 1999.
A decisão foi tomada por causa do agravamento da crise argentina, que provocou uma disparada do dólar nos últimos dias e pressionou a inflação. As turbulências recentes e seus impactos no mercado de câmbio elevaram a projeção de inflação para o ano. O Copom, diante disso, decidiu aumentar a taxa Selic para 15,75%, de forma a contribuir para o cumprimento da meta, informou o BC por meio de uma nota.
O mercado esperava pela manutenção dos juros. Os mais pessimistas apostavam, no máximo, na adoção do viés de alta, instrumento que permite ao BC elevar os juros antes mesmo da próxima reunião do Copom, marcada para o mês que vem. Como o BC não adotou nenhum tipo de tendência (viés), os juros ficam inalterados até abril.
Em menos de três semanas, três pessoas diferentes ocuparam o cargo de ministro da Economia da Argentina. Na última troca, Ricardo Lopez Murphy foi substituído por Domingos Cavallo depois de anunciar um pacote econômico que deu início a grave crise política no país vizinho.
As dificuldades enfrentadas pela Argentina provocaram pânico no mercado financeiro brasileiro. O dólar disparou, chegou a ser negociado a R$ 2,17 uma das maiores cotações já atingidas no Plano Real e obrigou o BC a fazer uma forte intervenção no mercado para conter a valorização da moeda dos EUA.
Na quinta-feira passada, o BC fez a maior intervenção no mercado de câmbio desde março de 1999: foram gastos cerca de US$ 300 milhões para segurar a cotação do dólar. Além disso, o BC vendeu nesta semana R$ 2,8 bilhões em títulos corrigidos pela variação cambial para conter a desvalorização do real.
Ao decidir se mexe ou não nos juros básicos, o BC leva em consideração, principalmente, as ameaças à meta de inflação que, para este ano, é de 4%, medida pelo IPCA. Nos dois primeiros meses do ano, o IPCA já acumula alta de 1,03%. Juros altos seguram o ritmo de crescimento da economia e evitam uma pressão mais forte sobre a inflação.
A grande dúvida é o impacto que a alta do dólar terá sobre a inflação. Segundo estudo do BC, cada 10% de valorização do dólar leva a um aumento de 1,5 ponto percentual na inflação em um ano. Esse número, porém, depende de vários fatores. Um deles é o ritmo de crescimento da economia.
Quando a economia está mais aquecida, a renda da população cresce mais. Com isso, a disposição dos consumidores em aceitar aumentos de preços também aumenta, pressionando a inflação.


