Copom sinaliza que inflação pode voltar
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010
Fabio Graner e Fernando Nakagawa<br> Agência Estado 
Brasília - A ata da primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2010, em que os juros básicos foram mantidos estáveis em 8,75% ao ano, informou ontem que ''a probabilidade de que desenvolvimentos inflacionários inicialmente localizados venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação poderia estar se elevando''. Os diretores do Banco Central (BC) entendem que essa possibilidade de aumento de riscos para a inflação existe ''a ser confirmar a perspectiva de intensificação das pressões da demanda doméstica sobre o mercado de fatores''.
Para o Copom, esse quadro também eleva a possibilidade de que eventuais pressões localizadas nos preços, como no atacado, poderiam ser repassadas aos preços ao consumidor. ''O Comitê avalia que a materialização desse repasse, bem como a generalização de pressões inicialmente localizadas sobre preços ao consumidor, segue dependendo de forma crítica das expectativas dos agentes econômicos para a inflação'', cita o documento.
Demanda interna
Os diretores do Comitê observam também que a demanda interna elevada ''poderia exercer certa pressão sobre os preços dos itens não transacionáveis, como os serviços, nos próximos trimestres''. Diante desse quadro, o Copom afirma que continuará ''monitorando com particular atenção o comportamento das expectativas de inflação, que se elevaram no trecho intermediário do horizonte de projeção desde sua última reunião''. O último encontro do Copom, antes do realizado no fim de janeiro, ocorreu no início de dezembro de 2009.
A ata também destaca que houve uma ''sensível'' redução na margem de ociosidade da indústria, o que ocorreu junto com a retomada nos investimentos. ''A propósito, como assinalado em Notas anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e de serviços para o adequado atendimento da demanda'', disse o Copom.
O Copom entende que a acomodação da demanda vista em período recente no Brasil ''mostra sinais consistentes de superação''. A ata revela diferença de tom em relação ao documento anterior, de dezembro de 2009, quando os diretores afirmavam que a acomodação da demanda estava ''sendo superada''.


