Alta projetada na ata do Copom não deve ter impactos no dia a dia do brasileiro
Alta projetada na ata do Copom não deve ter impactos no dia a dia do brasileiro | Foto: Shutterstock

A inflação deve subir nos próximos meses, com o pico do índice acumulado em 12 meses em abril ou maio. A informação consta da ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada nesta terça-feira. De acordo com o documento, “no cenário com trajetórias para a taxa de juros e de câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,9% para 2019 e 3,8% para 2020.”


Esse cenário supõe, entre outras hipóteses, trajetória de taxa Selic que encerra 2019 em 6,50% ao ano e se eleva a 7,75% a.a em 2020. No cenário com taxa Selic constante em 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$3,85/US$, as projeções para a inflação do Copom situam-se em torno de 4,1% para 2019 e 4,0% para 2020.”


Para o economista Mauro Rochlin, professor dos MBAs da FGV (Fundação Getúlio Vargas), a alta projetada na ata do Copom não trará impactos no dia a dia do brasileiro, pois considera que a elevação não seja significativa.


“Pode sair dos 3,89% (atual) para 4% ou 4,1%, mas não vai muito longe disso. O cenário para a inflação é bem tranquilo e o indicador nos 12 meses só não é menor em função da greve dos caminhoneiros”, afirmou o economista. A greve dos caminhoneiro ocorreu em maio do ano passado contra os reajustes frequentes do preço do óleo diesel.


Na avaliação do economista Márcio Massaro, diretor do curso de Administração da Fapar (Faculdade Paranaense), o aumento de preços referido na ata pode estar ligado ao cenário político. “Aos desarranjos da política, incertezas quanto à reforma da Previdência e ao câmbio elevado que propriamente outra questão estrutural que justificaria aumentos de juros. São oscilações normais de mercado. Até mesmo os combustíveis que tiveram uma majoração recente de preços, isso será capturado na próxima apuração da inflação”, afirmou.


A opinião também é compartilhada pelo economista Marcos Rambalducci, professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e colunista da FOLHA, que acredita que para uma elevação drástica da inflação é preciso uma melhora considerável no cenário econômico.


“Se a economia realmente deslanchar, mas deslanchar muito, poderemos ter alguma pressão inflacionária. Isso porque teremos geração de empregos e aumento da renda disponível. Mas, está difícil destravar as reformas do governo de forma a impactar significativamente ainda este ano”, avaliou Rambalducci.


Mas o que chamou a atenção na ata, de acordo com os especialistas, foi o tom evasivo em relação aos próximos passos do Copom. “A ata foi evasiva sobre o que será feito no curto prazo. O mercado especula sobre uma queda da Taxa Selic. Caso se confirmem a inflação entre 3,8% a 4% em maio, pode sinalizar em uma queda da Selic para 6%, em junho ou julho. Mas o BC é muito cauteloso e conservador. Por conta disso, só dará o passo se sentir segurança”, avalia Rochlin.


Rambalducci afirmou que esse tom evasivo pode abrir espaço para o novo presidente do BC, Roberto Oliveira Campos Neto, “descolar um pouco do controle inflacionário permitindo a redução da taxa de juros”. Campos Neto defende que a taxa de juros básica pode ficar ancorada em um patamar menor, o que agrada o setor produtivo e desagrada o mercado financeiro. (Com Agência Estado)

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