O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central fará nesta terça (9) e quarta-feira (10) a última reunião do ano em meio a um cenário de inflação ainda acima da meta e atividade econômica em desaceleração. A taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, é o principal instrumento utilizado pelo BC para manter a inflação sob controle e deve ser novamente mantida, segundo projeções do mercado.

A Selic foi preservada nesse patamar nas três últimas reuniões, decisão sustentada pelo recuo recente da inflação e pela perda de ritmo da economia. Apesar disso, o Copom não descarta a possibilidade de voltar a elevar os juros “caso julgue apropriado”, mantendo o discurso de cautela em um ambiente ainda marcado por incertezas internas e externas.

Em nota recente, o Banco Central destacou que o cenário internacional segue volátil, especialmente devido à política econômica dos Estados Unidos, o que afeta as condições financeiras globais e impõe maior rigor à condução da política monetária no Brasil. No front doméstico, a instituição aponta que, embora a atividade esteja esfriando, a inflação permanece acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, o que reforça a necessidade de juros elevados por mais tempo.

A expectativa dos analistas é que a Selic encerre 2025 no mesmo nível atual. Para os anos seguintes, projeta-se um ciclo gradual de flexibilização: 12,25% ao ano em 2026, seguido por 10,5% em 2027 e 9,5% em 2028, caso o processo de desinflação avance de forma consistente.

A dinâmica da taxa básica tem impacto direto sobre o crédito e o ritmo da economia. Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda, encarecendo empréstimos e estimulando a poupança. O movimento tende a desacelerar a inflação, mas também restringe a expansão da atividade. Além da Selic, os bancos incorporam fatores como risco de inadimplência, custos operacionais e margem de lucro na formação dos juros ao consumidor.

Por outro lado, quando a taxa cai, o crédito tende a ficar mais acessível, impulsionando produção e consumo. A redução dos juros, contudo, diminui o controle sobre os preços, razão pela qual depende de um ambiente de inflação estabilizada e expectativas bem ancoradas.

PIB

A previsão do mercado financeiro para o crescimento da economia brasileira este ano subiu de 2,16% para 2,25%. A estimativa foi publicada no boletim Focus desta segunda-feira (8), pesquisa divulgada semanalmente pelo BC com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2026, a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto), a soma dos bens e serviços produzidos no país) passou de 1,78% para 1,8%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,84% e 2%, respectivamente.

Puxada pelas expansões dos serviços e da indústria, no segundo trimestre deste ano a economia brasileira cresceu 0,4%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística). Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.

A previsão de cotação do dólar está em R$ 5,40 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,50. (Com Agência Brasil)

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