Copom reúne-se para decidir sobre juros
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segunda-feira, 15 de março de 2004
Francisco Carlos de Assis e Célia Froufe<BR>Agência Estado 
São Paulo - A maioria dos analistas de mercado financeiro consultados pela Agência Estado volta a apostar na manutenção da Selic em 16,5% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de hoje e quarta-feira. Dos 45 entrevistados, 40 acreditam que a taxa básica de juros será mantida pelo terceiro mês consecutivo. De um modo geral, o humor dos especialistas melhorou em relação ao mês passado. Tanto que, para cinco instituições financeiras, o corte virá já este mês, ainda que pequeno - de 0,25 ponto porcentual. Além disso, 1 dos 40 especialistas que apostam na manutenção prevê a retomada do uso do viés - no caso, de baixa - na decisão desta semana.
De qualquer forma, o que praticamente todos aguardam é que a ata da reunião, que será divulgada na próxima semana, traga um tom mais otimista. Assim, se o corte não vier na quarta-feira, já haverá mais ferramentas para os agentes do mercado aguardarem uma redução da Selic em abril.
O economista-chefe da Unibanco Asset Management (UAM), Alexandre Mathias, reforça esta tese acrescentando que, além do abrandamento do conteúdo da ata para a reunião de abril, os diretores do BC já terão em mãos os números de inflação referentes ao IGP-DI e IPCA, que deverão ficar abaixo de 1% e 0,50%, respectivamente. ''Isso seria um sinal para o BC de que não está havendo contaminação dos preços no varejo pelo atacado. Diante disso, para abril, a Selic já poderia cair 0,50%'', diz Mathias, para quem o pico do IPA será no IGP-10 de março, que sai na quarta-feira.
O teor da ata é o que vai determinar as apostas para o próximo mês também na opinião da economista Ana Paula Higa, do Banco Santos. ''O grande drama é saber qual será o texto da ata e que números o BC irá selecionar'', avaliou. Para ela, o IPCA já deu um alívio na questão da inflação e há fatores positivos. Ana Paula ainda espera manutenção, no entanto, porque os IPAs vieram ''muito fortes'' e o Copom ficará a tento a isto nos próximos meses.
O ambiente segue o mesmo que o verificado em fevereiro, na opinião do economista do Banco Rendimento, Luiz Paulo Carvalho. Para ele, o BC vai continuar buscando acertar o centro da meta (de 5,5% ao ano, com variação de 2,5 pontos porcentuais para cima ou para baixo) até que os indicadores de inflação mostrem, na ''trimestralidade'', taxas menores que 0,40% mensais.
Ainda sobre inflação, a análise do economista-sócio da Rosenberg & Associados Dirceu Bezerra é de que a melhora apresentada pelos indicadores de preço ao consumidor em fevereiro não justifica a redução da taxa de juros.


