Agência Estado
De Brasília
Inaugurando o novo estilo para a definição da taxa de juros, a diretoria do Banco Central deu início ontem à primeira parte da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que definirá hoje a taxa de juros básica da economia, válida para o período de 19 de janeiro a 16 de fevereiro. A taxa de juros em vigor é de 19%, sem viés, ou seja, sem o indicativo de tendência para baixo ou para cima.
Mesmo num ano otimista para a economia brasileira o mercado financeiro não trabalha com a possibilidade de uma queda rápida da taxa de juros. Pelo contrário. Muitos apostam na manutenção da taxa ou numa redução apenas simbólica, que servirá somente para firmar a continuidade da tendência descendente da taxa.
Essa é, por exemplo, a avaliação do economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central. ‘‘Não há espaço para baixar a taxa de juros’’, afirmou. Ele observou que a situação melhorou bastante, inclusive do ponto de vista cambial, mas ponderou que mesmo assim o BC deve ser cuidadoso. De acordo com Loyola há a expectativa de como os investidores vão se comportar com relação ao Brasil após a decisão sobre a taxa de juros americana, que será anunciada no início de fevereiro pelo Fed. ‘‘O Banco Central não deve ser o mais alegre da festa’’, brincou, acrescentando que a taxa de juros poderá cair na próxima reunião ou na que será realizada no mês de março.
Opinião semelhante tem o economista Flávio Castelo Branco, chefe da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Na divulgação dos Indicadores Industriais, ainda referentes ao ano passado, Castelo Branco disse que a entidade não trabalha com a perspectiva de redução substantiva da taxa de juros no curto prazo.

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