Copom reforça aposta de juros estáveis por prazo indeterminado
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quinta-feira, 30 de julho de 2009
Fernando Nakagawa eFabio Graner<br> Agência Estado 
Brasília e São Paulo - A ata da reunião de julho do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada ontem revelou que alguns membros do Comitê entenderam que ''haveria respaldo para a possibilidade de manter inalterada a taxa básica de juros já nesta reunião''. Apesar dessa avaliação, os diretores do BC decidiram por unanimidade reduzir a Selic para 8,75% ao ano. Com essa informação, os juros futuros reagiram em alta na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), dado o desmanche das posições vendidas montadas nos últimos dias na esperança de que o documento pudesse indicar algum rescaldo de corte da Selic na reunião de setembro.
''A ata foi surpreendentemente clara. O ciclo de cortes foi encerrado e vamos ter por um tempo razoável a Selic em patamar historicamente baixo'', afirmou o ex-diretor de política monetária do Banco Central e diretor regional para América Latina do HSBC, Luis Eduardo Assis. Se alguém tinha ainda alguma expectativa de que o BC não fecharia a porta para mais algum corte nos juros, desta vez, ele bateu a porta e não ficou indicada possibilidade clara de ter mais algum ajuste'', também disse o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto. Concorda com eles a economista-chefe da Icap Corretora, Inês Filipa, para quem os juros se manterão estáveis até o fim de 2010.
Segundo a ata, houve consenso entre os diretores do BC que ''o balanço dos riscos para a trajetória prospectiva central da inflação ainda justificaria estímulo monetário residual''. A avaliação alterou o adjetivo usado para designar o estímulo monetário que tem sido implementado pelo comitê. Enquanto neste documento os membros do Copom usaram o termo ''residual'', a ata da reunião de junho citava que havia espaço para ''flexibilização monetária adicional''.
Os membros do Copom também defenderam uma estratégia mais cautelosa do BC. Os diretores citam que ''uma postura mais cautelosa contribuirá para mitigar o risco de reversões abruptas da política monetária no futuro''. Ao defender decisões mais cuidadosas, os diretores explicam que isso será importante para ''a recuperação consistente da economia ao longo dos próximos trimestres''.
Os diretores voltaram a citar que a preservação de perspectivas inflacionárias benignas vai ''requerer que o comportamento do sistema financeiro e da economia sob um novo patamar de taxas de juros seja cuidadosamente monitorado ao longo do tempo''. Ele observam, ainda, que a evolução da taxa básica de juros ''têm que levar em conta a magnitude do movimento total realizado desde janeiro'', e que o impacto da redução da Selic desde o início do ano terá reflexos sobre diversos indicadores econômicos que ''ficarão evidentes ao longo do tempo''.
Produção
Para os diretores do BC, a ociosidade dos fatores de produção e o comportamento das expectativas de inflação mantiveram favoráveis ''as perspectivas de concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA voltaria a evoluir de forma consistente com a trajetória das metas''.


