O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a Selic, o juro básico da economia, de 16,5% para 15,75%, sem viés. As justificativas para a decisão foram ‘‘as perspectivas favoráveis para a trajetória da inflação’’ e ‘‘a melhora no cenário externo’’, citadas no curto comunicado lido pela assessoria de imprensa do BC. A decisão surpreende o mercado positivamente. A maioria das instituições financeiras esperava queda de apenas 0,5 ponto porcentual – tal expectativa estava, inclusive, embutida nos preços dos ativos. Uma corrente mais otimista apostava em queda de um ponto, para 15,5%, mas era pequena e, ontem, tinha perdido mais espaço no mercado, dada a péssima performance da Nasdaq.
Justamente no dia da decisão do Copom, o mercado tinha ‘‘amarelado’’ e posto a euforia de lado, embora não tivesse abandonado sua aposta básica de queda de 0,5 ponto. Foi a Nasdaq com sua trajetória desequilibrada, que levou investidores a colocarem o pé atrás. Muita gente acabou preferindo corrigir posições e realizar lucro ontem mesmo, antes da decisão do Copom, com receio de que o comitê fosse mais conservador e decidisse manter a Selic inalterada.
Os motivos positivos para respaldar uma queda da Selic segundo operadores de mercado fora a queda do preço do petróleo, o acordo da Argentina com o FMI, a inflação brasileira em desaceleração, os bons fundamentos macroecômicos, em sua maioria, e a sinalização do Fed de que os juros norte-americanos podem baixar em breve (em que pese o revés no otimismo exagerado do mercado acionário dos EUA, que esperava queda dos juros norte-americanos anteontem).
Agora, com a decisão do Copom, que reduziu a Selic depois de mantê-la em 16,5% desde julho, o mercado tem que fazer a correção da correção. Ou seja, hoje, os juros caem. E muito.

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