Em continuidade ao movimento iniciado no encontro anterior, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (29) uma nova redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic. Com a decisão, os juros básicos da economia recuam para 14,50% ao ano, consolidando o ritmo de flexibilização estabelecido há 45 dias.

O ajuste sinaliza que a autoridade monetária enxerga uma janela de oportunidade para manter o alívio gradual, sem abrir mão do controle rigoroso sobre as expectativas inflacionárias e os riscos fiscais.


Até antes do início da guerra no Oriente Médio, a expectativa era de um corte de 0,5 ponto percentual na reunião do Copom desta quarta-feira (29). Mas com os efeitos da guerra pressionando a inflação, a expectativa caiu para um corte de 0,25 ponto percentual, avaliou o economista e professor da Faculdade Anhanguera, Elcio Cordeiro da Silva.

A prévia da inflação oficial, IPCA-15, apresentou uma aceleração para 0,89% em abril, em razão das altas nos preços dos combustíveis e dos alimentos. Os reajustes sazonais dos alimentos, somados aos possíveis repasses da alta do combustível para os custos logísticos, provocaram boa parte dessa aceleração.

Apesar desse cenário, o mercado financeiro já esperava que o Banco Central mantivesse, nesta reunião, o ciclo de cortes, porém, em um nível mais baixo, de 0,25 ponto percentual, o que acabou se confirmando. A decisão deve sinalizar o tom das próximas reuniões, apresentando as condições necessárias para a continuidade da trajetória de queda da Taxa Selic.

Esse movimento de alta gera incertezas ao Banco Central sobre o quanto pode cortar da Taxa Selic sem comprometer a meta de inflação já estabelecida.

“O Banco Central se vê em um cenário econômico repleto de desafios, pois, ao mesmo tempo que precisa conter a inflação, para preservar o poder de compra da moeda nacional, precisa encontrar uma taxa de juros que não onere ainda mais o setor produtivo e as famílias”, disse Silva.

O patamar atual da Taxa Selic, destacou ele, encarece o crédito para investimentos, como a compra de máquinas e equipamentos, estrangulando o crescimento da produção e da produtividade nacional. Para as famílias, juros mais altos significam dívidas mais caras, agravando ainda mais o endividamento e reduzindo a capacidade de consumo dos brasileiros.

Histórico

A taxa Selic permaneceu congelada no patamar de 15% ao ano por exatos 12 meses. Esse período de um ano de manutenção representou o maior intervalo de juros inalterados em níveis elevados desde o período pós-pandemia. O Banco Central optou por segurar a taxa em 15% durante oito reuniões consecutivas do Copom, justificando a decisão pela necessidade de ancorar as expectativas de inflação e monitorar os riscos fiscais que pressionavam a curva de juros longa.

O bloqueio nos 15% só foi rompido na reunião de março de 2026, quando o colegiado finalmente iniciou o ciclo de flexibilização com o primeiro corte de 0,25 ponto percentual.

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