Copom reduz taxa básica de juros para 24,5% ao ano
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quarta-feira, 23 de julho de 2003
Das agências 
Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu ontem o juro básico da economia (Selic) de 26% para 24,5% ao ano, atendendo a expectativa de diversos segmentos da sociedade, que reivindicavam um corte mais forte na taxa. Trata-se do maior corte promovido pelo BC na taxa básica de uma só vez desde 19 de maio de 1999, quando o juro foi reduzido de 27% para 23,5% ao ano. É também a segunda redução mensal do juro básico. Na reunião de junho, o Copom baixou o juro em 0,5 ponto percentual.
As apostas de uma redução mais ousada no juro cresceram após diversos indicadores de preços apontarem deflação em junho. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, utilizado para monitorar as metas de inflação, terminou junho com deflação de 0,15%. O Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas, teve variação negativa de 1%. E o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da USP, que mede a inflação da região metropolitana de São Paulo, apontou deflação de 0,16%.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse que a decisão do Copom ''foi ao encontro da expectativa de mercado, tanto é que a Bolsa de Valores e o dólar estão praticamente sem oscilações''. Na avaliação dele, a redução promovida ontem ''abre caminho para sequência relevante'' de cortes nos juros, à medida que os dados macroeconômicos, como os de inflação, contas públicas e risco país, melhorem ainda mais.
Ele frisou, no entanto, que o sacrifício impostos nos últimos seis meses pela política econômica - necessário para resgatar a credibilidade do País - não basta para melhorar a produção e o consumo.
''O risco Brasil está querendo quebrar a barreira dos 700 pontos; vai um pouco abaixo, vai um pouco acima'', observou o ministro. Furlan lembrou que ainda há cinco reuniões do Copom, este ano, o que abre espaço para novas reduções. No entender dele, o ano ainda não está perdido. ''As premissas para um círculo vicioso de desenvolvimento, os tijolinhos, vão sendo construídas para que tenhamos, em 2004, aquilo que o presidente (Luiz Inácio Lula da Silva) já avisou'', observou.
Para Furlan, o PIB de 2003 ''está salvo''. ''Temos uma simetria entre crescimento da agricultura, da indústria e dos serviços'', disse. ''Só o incremento das exportações, de US$ 8 bilhões, representa mais de 1,5% do PIB''. Segundo o ministro, se o País tiver um crescimento moderado, em torno de 1,5% a 2%, será muito bom em relação ao panorama da economia mundial.


