Brasília - O Banco Central decidiu manter o ritmo da redução na taxa básica de juros. Assim como nas últimas três reuniões, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou ontem uma redução de 0,5 ponto percentual na Selic, desta vez para 13,75% ao ano.
Mesmo que esse seja o patamar da Selic mais baixo desde a primeira reunião do Copom, em 1996, os juros reais do Brasil - descontada a inflação esperada para os próximos 12 meses - ainda são os mais altos do mundo, de 9,3% ao ano. Segundo a UpTrend Consultoria Econômica, a Turquia ocupa o segundo lugar e tem uma taxa de juros real de 6,2% ao ano.
O fator que mais justifica o corte de ontem nos juros é a tendência de queda da inflação e uma expectativa de crescimento menor que a esperada no início do ano. No último levantamento feito pela autoridade monetária, o mercado financeiro esperava uma inflação de 3%. Para o ano que vem, a projeção está em 4,2%. A meta de inflação oficial é de 4,5% de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - com uma margem de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo.
Além disso, o crescimento da economia parece que não provocará pressão sobre os preços - no segundo trimestre, o alta do PIB foi de apenas 0,5%. No último Relatório de Inflação, a autoridade monetária reduziu de 4% para 3,5% a expectativa de crescimento econômico para este ano.
O processo de redução da taxa de juros começou em setembro do ano passado. Na ocasião, a Selic passou de 19,75% para 19,5% ao ano.
Consumidor - Os juros para o consumidor tiveram leve alta em setembro apesar das seguidas quedas da taxa básica de juros (Selic). Segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os juros médios cobrados de pessoas físicas subiu de 7,48% ao mês em agosto para 7,50% no mês passado.
Das seis linhas de crédito pesquisadas, houve alta em três (juros do comércio, cheque especial e empréstimos pessoal/financeiras) e estabilidade em outras três (cartão de crédito, crédito direto ao consumidor/bancos e financiamento a automóveis e empréstimo pessoal/bancos)
Já nas operações de crédito para pessoa jurídica (empresas), das quatro linhas de crédito pesquisadas, uma apresentou redução de sua taxa de juros média (desconto de duplicatas), uma ficou estável (capital de giro) e duas apresentaram elevação (desconto de cheques e conta garantida). A taxa de juros média geral para pessoa jurídica permaneceu estável em 4,28% ao mês entre agosto e setembro.
O coordenador da pesquisa da Anefac, o economista Miguel José Ribeiro de Oliveira, lembra que desde o início do ciclo de cortes no ano passado até setembro, a Selic caiu 5,5 pontos percentuais - de 19,75% para 14,25% ao ano. Entretanto, nesse período a taxa média de juros para pessoa física apresentou uma redução de 2,94 pontos percentuais (de 141,12% ao ano em setembro de 2005 para 138,18% ao ano no mês passado).
''O não-repasse da redução da Selic bem como as elevações das taxas de juros podem ser atribuídos a dois fatores: à maior demanda por crédito por consumidores e empresas (...) e a inadimplência, que voltou a crescer no último mês'', afirmou. A inadimplência de empresas atingiu 2,5% do total de empréstimo em setembro (alta de 0,1 ponto percentual sobre agosto). Já o índice de pessoas físicas alcançou 7,6% (alta também de 0,1 ponto).

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