Brasília – O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central confirmou a tendência de redução dos juros, iniciada no mês passado, e cortou ontem a taxa básica (Selic) novamente em 0,25 ponto percentual. De 18,75% ao ano, os juros caem a partir de hoje para 18,50%, taxa que prevalecerá até a próxima reunião, que será realizada nos dias 16 e 17 do mês que vem. O corte ficou abaixo da expectativa do mercado, que esperava queda de 0,5 ponto percentual.
A decisão foi justificada pela melhoria no cenário internacional. ‘‘A melhoria do cenário externa reforça a expectativa de convergência da inflação para suas metas. Nesse contexto, o Copom reduziu a taxa Selic para 18,5% ao ano’’, informou a assessoria do BC.
Na reunião de fevereiro, o corte na Selic havia sido de 0,25 ponto percentual. Antes disso, o BC havia mantido a taxa básica em 19% ao ano por sete meses seguidos, desde julho do ano passado.
Juros mais baixos estimulam o crescimento econômico – pois os consumidores passam a comprar mais a crédito –, o que é conveniente em ano eleitoral.
No mês passado, o BC mudou sua postura em relação ao sistema de metas inflacionárias. Desde que o modelo foi adotado, em junho de 99, o presidente do BC, Armínio Fraga, e seus diretores defendiam que o alvo da política monetária sempre seria o centro da meta. Para este ano a meta é de 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo.
No entanto, na ata da última reunião do Copom, o BC destacou que não conduziria a política monetária em 2002 tendo como objetivo o centro da meta, mas uma inflação entre 4% e 4,5% – abaixo, no entanto, do limite superior da meta, de 5,5%. Outra alteração no discurso da diretoria colegiada do BC foi que o horizonte para a realização da política monetária não seria mais necessariamente de 12 meses (o ano corrente), que poderia ser expandido para algo entre 18 meses e 24 meses. Ou seja, se nesse período a tendência da inflação fosse de queda em direção à meta, a política monetária poderia ser afrouxada.
‘‘No nosso caso, a projeção de inflação para 2003 abaixo do centro da meta reforça a recomendação de que, à medida que se confirme esse cenário, a política monetária poderia ser flexibilizada’’, afirmou o BC na última ata. Entenda-se por flexibilização, nesse caso, redução dos juros. Indicadores da economia doméstica e internacional têm confirmado ‘‘esse cenário’’ que o BC julga propício para reduzir os juros.
Como o próprio Copom informou, a recuperação da economia norte-americana apresentou sinais de melhora. Anteontem, o Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) manteve os juros básicos da economia em 1,75% ao ano.

mockup