Brasília- O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu neste mês manter a taxa básica de juros, a Selic, em 16% ano porque avaliou que as expectativas de inflação se tornaram uma fonte de risco ''relativamente mais importante'' do que no mês passado. É o que afirma a ata da reunião de junho do Copom, divulgada ontem pelo BC. Apesar disso, para o comitê as perspectivas macroeconômicas para o médio prazo continuam favoráveis.
Na ata, os diretores do BC admitem que as dúvidas a respeito do cenário externo, como a possibilidade de alta das taxas de juros nos Estados Unidos, têm aumentado, entre os agentes econômicos, as incertezas em relação ao comportamento da inflação. Mas alertam que a política monetária não permitirá ''de forma alguma'' que essas pressões se disseminem por toda a economia.
O sistema de metas de inflação, observa a ata, poderá absorver os chamados choques primários de preços. ''Mas será muito importante que a política monetária combata os efeitos de segunda ordem desses choques, de forma a garantir que o crescimento da atividade continue contando com a sustentação proporcionada pela recuperação progressiva dos rendimentos reais, que só poderá se verificar num ambiente de estabilidade de preços no médio prazo'', afirmam os diretores do BC.
Embora reconheça que há pressões inflacionárias de curto prazo e admita que suas próprias projeções de inflação para este ano estão acima da meta de 5,5% estabelecida para o IPCA, o Copom rechaça as expectativas do mercado de que o o índice poderá também superar a meta de 4,5% de 2005.
Para reforçar o viés mais otimista com que analisa as tendências inflacionárias de médio e longo prazos, a ata salienta que as altas de preços do atacado continuam sendo repassadas de forma moderada para o varejo. Em maio, os produtos agrícolas pressionaram mais do que os industriais. ''O reajuste dos preços agrícolas está bem acima do normalmente verificado nesta época do ano, representando uma fonte importante de pressão para a inflação no curto prazo'', diz o documento.
O documento traça ainda uma perspectiva otimista para o crescimento da economia. Para o Copom, os indicadores confirmam ''de forma inequívoca'' a continuidade do processo de recuperação da atividade. Para que a projeção do governo de crescimento de 3,5% neste ano seja alcançada, diz a ata, basta que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça em média 0,5% no segundo, terceiro e último trimestres de 2004. Mesmo que o PIB permanecesse estável nesses três trimestres, a economia já teria um crescimento de 2,8% no ano.

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