Curitiba - O Conselho de Política Monetária Nacional irá fazer o que for necessário para trazer a inflação para o centro da meta de 4,5%. A afirmação é do diretor de política econômica do Banco Central, Mário Mesquita. Ele esteve ontem em Curitiba para divulgar o Relatório de Inflação. A inflação vem em alta desde o final de 2007. ''Estamos combatendo esse processo (de alta). O Banco Central vai fazer o necessário para voltar ao centro da meta'', afirmou. Ele destacou que, mesmo que fosse tirado o peso da alimentação, a inflação ainda seria superior a meta de 4,5%. O relatório aponta que a trajetória de alta dos alimentos começou em maio de 2006 e foi aumentando gradativamente.
Segundo ele, no atacado a inflação é mais volátil e reflete no varejo. ''Vamos fazer o necessário para evitar o repasse'', disse. A expectativa do mercado é que a inflação termine o ano em 6,3% e a taxa de juros anual em 14,25%. Mesquita disse que a elevação da expectativa de mercado para a inflação para 2009 e 2010 cria um ambiente para o repasse de preços, o que será combatido pelo governo federal. Ele acredita que se o BC não atuasse, a inflação poderia ser maior.
O BC estima que o País feche o ano com uma taxa inflacionária de 6%. O Conselho Monetário Nacional (CMN) tinha definido que será mantida uma tolerância de dois pontos percentuais para baixo e para cima. Isso significa que, teoricamente, a inflação não poderia passar de 6,5% ao final deste ano. Para 2009, a previsão é fechar o ano com um índice de 4,7%.
Mesquita lembrou que o BC iniciou ajustes na Selic - taxa básica de juros da economia - em abril deste ano. No entanto, não são esperados resultados imediatos para a política monetária. Em 2004 e 2005, a média de taxa de juros reais estava em 11,5%. A média 2006/2008 caiu para 8,4% e em junho foi de 8,7%.
Ele destacou que entre maio de 2007 e maio de 2008 houve um crescimento de quase 40% no crédito para pessoa jurídica para utilização, principalmente, como capital de giro. No mesmo período, a concessão de crédito para pessoa física teve um crescimento de 32%. Entre janeiro de maio deste ano, o crédito para pessoa jurídica teve um aumento de 24% e para pessoa física de 18%. Mesquita acredita que a expansão do crédito contribuiu para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). No primeiro trimestre deste ano, o PIB já apresentou um crescimento de 5,8%.
No terceiro trimestre de 2007, o consumo das famílias tinha crescido 8,6% e entre janeiro e março deste ano, o crescimento foi de 6,6%. O diretor ressaltou que a demanda doméstica no País é liderada pelo consumo das famílias.
Com o aumento do consumo, as vendas no varejo ficaram acima de 13% nos últimos 12 meses. Ele destacou que o crescimento do crédito acentuou a melhora da economia e das vendas no varejo. Outro fator que impulsionou a economia foi o aumento da massa salarial que cresceu 6,3% em 2007 e 6,2% em maio de 2008 comparado com o mesmo mês do ano passado. No entanto, ele acredita que o crescimento dos salários pode alimentar a inflação.
Ele destacou ainda que, até 2004, o risco Brasil era mais elevado, hoje o Brasil é visto como mais seguro do que os outros emergentes. A redução do risco Brasil favorece os investimentos por parte das empresas. Mesquita disse que as indústrias mostram dinamismo, mas a produção não acompanha em alguns setores.

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