Copom quebra série e mantém taxa de juro
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2001
Agência Folha De Brasília 
O Banco Central manteve ontem os juros básicos da economia em 15,25% ao ano. A decisão foi tomada em reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Nas duas reuniões anteriores, o Copom havia reduzido os juros em 1,25 ponto percentual.
O BC não detalhou os motivos da decisão e se limitou a dizer, por meio de uma nota, que ela foi tomada após analisar os fatores determinantes da taxa de inflação. Como o BC não indicou tendência de queda, a taxa permanece inalterada até a próxima reunião do Copom, em meados de março.
Grande parte dos analistas já esperava que o BC não mexesse nos juros, embora os mais otimistas contassem com uma redução de 0,25 ponto percentual. Parte do mercado esperava que o BC poderia aproveitar a queda de 0,5 ponto percentual sofrida pelos juros norte-americanos no final de fevereiro para reduzir a taxa brasileira, mas a situação da economia brasileira acabou pesando mais.
O presidente do BC, Armínio Fraga, costuma dizer que, para decidir se altera ou não os juros básicos, o Copom analisa as mudanças ocorridas na economia entre uma reunião e outra do comitê. E, desde a reunião de janeiro, foram divulgados vários dados que sinalizam um forte aquecimento da economia.
Ontem, o IBGE anunciou que o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 4,2% no ano passado, acima dos 4% esperados pelo governo. Para este ano, o Ipea prevê que o crescimento seja de 4,6% um pouco acima dos 4,5% previstos pela equipe econômica.
No mês passado, a produção de bens, como eletrodomésticos e automóveis, superou as expectativas. Analistas do mercado financeiro apontam esse crescimento como reflexo das últimas reduções de juros determinadas pelo BC. O forte aquecimento econômico leva a um aumento no consumo. Se não for acompanhado por um igual crescimento da produção, isso pode gerar inflação, principal preocupação do BC ao definir as taxas de juros praticadas no País.
Juros mantidos em níveis mais elevados inibem o crescimento da economia e seguram a inflação. Para este ano, a meta do governo é que a inflação, medida pelo IPCA, fique em 4% com uma margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.


