Copom projeta alta dos derivados de petróleo
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quinta-feira, 28 de setembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O Comitê de Política Monetária (Copom) avalia que a meta de inflação de 4% no próximo ano não será comprometida mesmo se houver um aumento de 5% nos preços dos combustíveis no último trimestre deste ano. De acordo com a ata da última reunião do comitê, ocorrida na semana passada e divulgada ontem, o Banco Central admite, portanto, a possibilidade de reajuste, diante das projeções do mercado futuro para o preço externo do petróleo e dos aumentos já ocorridos nos preços domésticos dos combustíveis.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse que o porcentual de reajuste foi um exercício feito pelos diretores e chefes de departamento do banco. Nas últimas semanas, porém, o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Fazenda, Pedro Malan garantiram que não haverá alterações nos preços dos combustíveis esse ano.
Segundo Lopes, também foi traçado outro cenário sem aumento algum dos preços internos dos derivados. Nos dois cenários, a meta de inflação projetada para 2001 ficaria até abaixo da meta de 4%. Segundo o relatório, um aumento de 5% teria impacto sobre os índices de preços no último trimestre deste ano. Essa escassez de petróleo e derivados pode resultar em pressão adicional sobre os preços correntes (no mercado internacional), em que pese a estrutura de preços futuros apontar quedas mensais sucessivas, diz o documento.
O Copom constatou que o cenário externo ganhou importância relativa como fator de risco para evolução da economia brasileira, por conta das incertezas com relação à evolução do preço do petróleo.
Segundo a ata elaborada antes da venda dos estoques estratégicos de petróleo do governo americano, que forçou a queda dos preços, o preço internacional do produto continua subindo, e sua volatilidade desafia todas as previsões.
No entender do BC, o choque de preços revelou-se duradouro e a probabilidade de novas altas aumenta com a proximidade do inverno no Hemisfério Norte. A médio prazo, a tendência apontada nos mercados futuros é de recuo nos preços, embora o preço médio esperado para 2001 ainda permaneça elevado, um pouco acima do previsto para este ano, observa a ata. Foi identificado em setembro uma menor inércia na formação de preços, mesmo com o crescimento da atividade econômica, o que deve se estender nos próximos meses. Com isso, segundo o BC, a inflação de 2001 pode ficar ligeiramente abaixo de 4%.


