Copom não surpreende e corta 0,25 da Selic
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quarta-feira, 14 de abril de 2004
Agência Folha 
Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central decidiu ontem fazer uma tímida redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros da economia brasileira (Selic). Os juros caíram de 16,25% para 16% ao ano, a menor taxa desde abril de 2001.
A decisão já era amplamente esperada pelo mercado. Em março, o BC também havia cortado a taxa em 0,25 ponto percentual e justificou a timidez da redução com a necessidade de permanecer atento ao comportamento da inflação.
O leve corte nos juros não poupou o BC de novas críticas de empresários, sindicalistas e até mesmo políticos do PT e da base de apoio ao governo.
O descontentamento de diversos segmentos da sociedade com o BC deve-se ao enfraquecimento da atividade econômica no primeiro trimestre. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial caiu 1,8% em fevereiro na comparação com janeiro e completou três meses seguidos em queda.
Já a taxa de desemprego cresceu de 11,7% para 12% entre janeiro e fevereiro e colaborou para a recente queda nas taxas de aprovação do governo Lula. O BC entende, entretanto, que, após o crescimento de 1,5% da economia no último trimestre de 2003, seria normal um ritmo de expansão mais lento nos três primeiros meses deste ano. A previsão do banco é de uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) próxima a 0,8% ou 0,9% no período.
Segundo os críticos da política economômica, os recentes números de inflação, poderiam inspirar um corte mais ousado nos juros. Segundo a Fipe, a inflação na cidade de São Paulo caiu de 0,12% em março para 0,06% nos 30 dias terminados em 7 de abril, o que representa a menor taxa dos últimos oito meses. Já o IPCA (índice nacional de inflação que serve de base para as metas) caiu de 0,61% em fevereiro para 0,47% em março. Mas a alta dos preços acumulada no primeiro trimestre atingiu 1,85%, o que representa um terço da meta de inflação para este ano, que é de 5,5%. Por isso, o espaço para a queda dos juros seria mesmo pequeno.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, o governo precisa abandonar o conservadorismo em relação aos juros e criar um ambiente apropriado para fortalecer a economia. ''A estratégia de controlar a inflação usando os juros impede o desenvolvimento industrial. Temos que inovar e fazer da produtividade a ferramenta da estabilidade econômica'' disse através de nota da assessoria.
Para Rocha Loures não há economia forte quando o mercado interno está enfraquecido. ''É preciso estimular o consumo para que haja produção. Assim se cria um ciclo de prosperidade.'' O presidente da Fiep sugere que os juros reais deveriam estar num patamar próximo de 3%, ao invés de 9,45%. Ele também entende que os spreads bancários estão altos demais, desestimulando a captação de recursos pelo setor produtivo.


