O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, deu a entender ontem que os juros básicos da economia não devem ser alterados na reunião do Comitê de Política Monetária deste mês que começa hoje e termina amanhã.
Em entrevista na sede do BC, para falar sobre as consequências para a economia mundial e brasileiro dos atentados aos EUA, Fraga disse que não iria tratar de juros para não antecipar a reunião.
No entanto, após elogiar a economia americana, que teria ''folga'' para redução de juros e aumento de gastos públicos medidas que servem para revigorar a economia , o presidente do BC disse que a situação brasileira é diferente. ''Nós não temos muita folga, como a dos EUA. Infelizmente estamos saindo de uma fase difícil da nossa história econômica. Foi preciso um ajuste fiscal profundo. Lá atrás foi necessário um esforço imenso para sair do mundo da hiperinflação. Acho que nós não consolidamos ainda essa trajetória.''
O presidente do BC admitiu que a inflação deve superar o teto da meta previsto para este ano (6%). Mas disse que, diante dos sucessivos choques enfrentados pelo País (crises da Argentina e de energia, desaceleração econômica mundial e os atentados), ter uma inflação de 6,5% não ''seria nenhum desastre''. ''Não faz sentido jogar a economia numa recessão profunda para conseguir reduzir a inflação em zero vírgula alguma coisa'', disse.

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