Copom mantém taxa Selic em 16% ao ano
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quarta-feira, 16 de junho de 2004
Ney Hayashi da Cruz<br> Agência Folha 
Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu ontem manter os juros em 16% ao ano por mais um mês. A decisão já era esperada por analistas de mercado e pela cúpula do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Em curta nota divulgada logo após o fim da reunião, o BC se limitou a informar que manteve os juros depois de avaliar ''o cenário macroeconômico e as perspectivas para inflação''.
A decisão foi unânime, ao contrário do mês passado, quando três dos nove membros da diretoria do BC haviam votado pela redução da taxa, mantida devido ao voto dos outros seis.
Foi a primeira reunião do Copom depois da divulgação do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia cresceu 1,6% nesse período, na comparação com os últimos três meses de 2003. O resultado - o mais elevado desde 1999 - foi comemorado pelo governo e fortaleceu a idéia de que não seriam mais necessários cortes agressivos nos juros para estimular o crescimento econômico.
Na semana passada, o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) chegou a afirmar que ''as taxas de juros já cumpriram seu papel na retomada da atividade'', o que foi entendido como uma indicação de que a taxa Selic deve permanecer no atual patamar por mais algum tempo. Um dia depois, porém, o ministro José Dirceu (Casa Civil) disse que a redução da taxa de juros era importante para estimular a economia.
A recuperação das vendas na indústria e no comércio também foi entendida como uma sinalização de que a recuperação da economia está se consolidando.
Se por um lado é menor a pressão por uma redução dos juros para reativar a economia, por outro o pessimismo em relação ao comportamento da inflação tem aumentado. Em tese, isso justificaria o conservadorismo do BC, pois juros mais baixos estimulariam o nível de atividade, mas podem favorecer o aumento de preços.
No mês passado, pela primeira vez, o BC admitiu que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano deve ficar acima dos 5,5% fixados pela meta do governo - apesar de as projeções continuarem dentro da margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo.
O reajuste dos combustíveis é um dos fatores de incerteza sobre a inflação. Na última segunda-feira, a Petrobras anunciou um aumento de 10,8% no preço da gasolina e de 10,6% no do diesel, ambos nas refinarias. Ainda há dúvidas sobre o repasse dessa elevação ao consumidor. Nas contas do BC, o preço da gasolina deve subir 9,5% ao longo do ano.
De acordo com levantamento feito pelo próprio Banco Central entre analistas de mercado financeiro, a inflação deste ano deve ficar em 6,61%.


