São Paulo - Em uma decisão já esperada pela maioria do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve ontem a taxa básica de juros, a Selic, em 16% ao ano. Desde abril o Banco Central não altera a taxa de juros. ''Tendo em vista as perspectivas para a trajetória da inflação, o Copom decidiu por unanimidade manter a taxa Selic em 16% ao ano sem viés'', dizia a nota divulgada após o fim da reunião do comitê.
Depois da decisão sem grandes emoções e a nota lacônica, o mercado espera a divulgação da ata da reunião, na próxima quinta-feira, para avaliar os rumos da política monetária.
''A decisão não nos surpreendeu, o BC tinha de manter a taxa porque as expectativas de inflação estão acima da meta'', diz Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos. Para Rosa, a ata será importante para avaliar como a autoridade monetária vai lidar com o aquecimento da atividade. Como grande parte dos analistas, ele acha que o Copom não vai mexer na Selic até o fim do ano. Mas, se houver mudança, uma alta nos juros é bem mais provável do que uma redução. ''Se a demanda ficar muito forte, pode sancionar reajustes, que, aliados ao impacto da alta do petróleo, forçariam o BC a elevar a Selic'', afirma.
Entre janeiro e julho, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 4,42%. A meta deste ano foi fixada em 5,5%, admitindo-se um desvio de 2,5 pontos percentuais.
A expectativa do mercado, segundo o BC, é que a inflação chegue a 7,16% - próximo, portanto, dos 8% previstos pelo teto da meta. A alta do petróleo no mercado externo é um dos fatores que ameaçam o controle dos preços.
Nas últimas semanas, a cotação do barril do petróleo tem se mantido em níveis recordes, o que pode fazer com que o preço dos combustíveis seja reajustado no Brasil. Analistas estimam que a defasagem entre os preços praticados no País e no mercado internacional justificaria um aumento de 20% na gasolina, o que teria impacto de aproximadamente 0,9 ponto percentual no IPCA.
O pessimismo do mercado em relação à inflação de 2005 também é citado pelo BC como razão para a manutenção dos juros. A previsão é que o IPCA suba 5,5% em 2005, período para o qual a meta foi fixada em 4,5%, também com margem de 2,5 pontos.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro, disse que a decisão do Copom ''não se justifica pelas trajetórias da inflação e de recuperação da economia''. ''O crescimento atual da economia ocorre de forma saudável e não representa ameaça à estabilidade''.
Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Copom ''deve ser mais ousado, porque mais que metas de inflação, o País precisa pensar em desenvolvimento a partir do crescimento da produção e do consumo'', disse o presidente da CUT, Luiz Marinho, em nota.

mockup