Copom mantém taxa de juros em 15%
Decisão que já era esperada pelo mercado financeiro confirma preocupação do setor produtivo, sob pressão do encarecimento do crédito e alta nos custos
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quarta-feira, 17 de setembro de 2025
Decisão que já era esperada pelo mercado financeiro confirma preocupação do setor produtivo, sob pressão do encarecimento do crédito e alta nos custos

Pela segunda vez seguida, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central manteve a taxa básica de juros do país em 15% ao ano. A decisão desta quarta-feira (30) repetiu o entendimento da última reunião, em 30 de julho, que havia interrompido o ciclo de alta, mantendo a Selic no maior nível em quase 20 anos.
O resultado da reunião já era esperado pelo mercado financeiro e era motivo de preocupação para o setor produtivo. Empresários e entidades de classe afirmam que os juros altos encarecem o crédito, aumentam os custos de financiamento e pressionam o caixa das empresas, especialmente das pequenas e médias. Além disso, o impacto direto sobre o orçamento das famílias, que enfrentam níveis recordes de endividamento e inadimplência, reduz o consumo e limita o crescimento de setores dependentes do mercado interno.
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No agronegócio, a preocupação é semelhante: os custos com insumos e maquinários sobem, enquanto a valorização do real pode prejudicar as exportações. Apesar de reconhecerem que a taxa elevada ajuda a conter a inflação, lideranças empresariais avaliam que a manutenção prolongada da Selic compromete investimentos, reduz a competitividade e agrava as dificuldades de quem depende do crédito para produzir.
Histórico
A Selic permanece estacionada no maior patamar observado desde julho de 2006. Naquela época, contudo, os juros estavam em trajetória de queda depois de terem atingido o pico de 19,75% ao ano, em 2005, durante o escândalo do mensalão.
O ciclo de alta de juros durou dez meses, de setembro do ano passado a junho deste ano. Ao longo do período, foram realizados sete aumentos seguidos. Nesse processo, a taxa básica foi de 10,5% a 15% ao ano, acumulando elevação de 4,5 pontos percentuais.
A Selic começou a subir na gestão de Roberto Campos Neto, cujo mandato terminou em 31 de dezembro de 2024. O primeiro passo foi gradual, com alta de 0,25 ponto percentual (a 10,75% ao ano). O comitê, então, acelerou o passo pela primeira vez e elevou a taxa básica em 0,5 ponto em novembro (a 11,25% ao ano).
Na decisão que marcou a transição de comando e a despedida de Campos Neto do BC, na última reunião de 2024, o Copom foi mais agressivo e indicou um choque de juros. Em dezembro, fez um aumento de um ponto percentual (a 12,25% ao ano) e sinalizou mais duas altas de mesma intensidade nos encontros seguintes, em janeiro e março.
No começo da nova gestão, o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, cumpriu a estratégia traçada, com duas altas de um ponto, alçando os juros a 14,25% ao ano em março. Depois disso, o comitê passou a desacelerar o ritmo e subiu a Selic em 0,5 ponto em maio (14,75% ao ano) e em 0,25 ponto em junho (15% ao ano).
No encontro de junho, o colegiado do BC antecipou prever a interrupção do ciclo de alta de juros.
Selic
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a Selic. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Os bancos consideram outros fatores além da Selic na hora de definir os juros a serem cobrados dos consumidores, entre eles risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.


Da Redação
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